O Otterhound é um cão de caça britânico grande, peludo e inconfundível: pelagem dura e impermeável, barba encharcada, orelhas penduradas e uma voz grave que se ouve a quilómetros. Criado para caçar lulas nos rios da Inglaterra, hoje é uma das raças mais raras do mundo e um dos companheiros mais nobres e camponeses que existem. Se você está procurando um cão sociável, resistente e de caráter, continue lendo: O Otterhound tem muitas virtudes, mas também exigências que devem ser conhecidas antes de se apaixonar por essa cara barbada.
É o Otterhound para ti?

O Otterhound é um cão carinhoso, mas não se encaixa em qualquer lar. É grande, barulhento, ativo e traz água, lama e cheiro de cão onde quer que vá. Em troca, oferece um temperamento excepcionalmente amável, muita resistência e uma personalidade com a qual é difícil se aborrecer.
A favor.
- Caráter doce, sociável e equilibrado; bom cão de família.
- É muito resistente e gosta de exercício, campo e água.
- Normalmente tolera bem crianças e outros cães.
- Olfato prodigioso, ideal para jogos de rastreamento.
- Pouco agressivo e nada rancoroso.
- Aspectos únicos que chamam a atenção por onde passa.
Contra
- Voz muito forte e grave; latindo e uivando com prazer.
- Precisa de muito exercício diário: não é sedentário.
- Sujeito: barba molhada, lama, um pouco de baba e cheiro.
- Independente e olfativo, é mais difícil de treinar.
- Muito raros: muito difíceis de conseguir e com lista de espera.
- Predisposto à torção gástrica; requer cuidado.
Caráter e temperamento
Quem vive com um Otterhound costuma descrevê-lo com as mesmas palavras: Bonitão, alegre e um pouco palhaço. É um cão de grupo, por isso tem no sangue a sociabilidade e a tolerância para com outros cães e para com as pessoas. Não é um cão dominante ou desconfiado; sua reação por defeito a um estranho é a gentileza, não a guarda. Por isso, apesar do seu tamanho e do seu barulho, é um mau candidato a cão de defesa.
Dentro dessa nobreza vive uma veia claramente independente. O Otterhound foi criado para trabalhar durante horas rastreando sozinho, seguindo um cheiro sem esperar instruções a cada passo. Essa autonomia traduz-se num cão afetuoso, mas com critérios próprios, que às vezes “faz ouvidos surdos” quando seu nariz encontra algo interessante. Não é obstinação maliciosa: Simplesmente, o cérebro está programado para seguir rastros.
É também um cão expressivo e comunicativo. Usa uma ampla gama de sons, desde grunhidos de conversação até o famoso uivado melodioso e profundo que serve para alertar a manada. Quem procura um cão silencioso deve procurar outra raça.
Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão
Com crianças: O Otterhound é geralmente um excelente cão de família, paciente e de bom fundo. A única nuance é o seu tamanho e sua torpeza quando se emociona: pode tirar uma criança pequena sem querer, por isso é conveniente supervisionar os jogos e ensiná-lo a moderar o entusiasmo.

Com outros cães: por sua origem de bando, a convivência com outros cães geralmente é fácil e natural. É dos poucos gigantes que raramente procuram conflito. Com gatos e pequenos mamíferos, por outro lado, é preciso ter cuidado: seu instinto de caça é muito vivo e pode ver um pequeno animal de estimação como uma presa. A convivência é possível com a socialização precoce, mas nunca deve ser tomada como segura.
No piso: não é o seu ambiente ideal. É grande, ativo e barulhento; o seu uivar ressoará por toda a escada. Pode viver no chão se receber muito exercício, mas é muito melhor numa casa com jardim onde possa mover-se e cheirar.
Soledad: é um cão social que não suporta a solidão prolongada. Isolado e entediado, tende a uivar, cavar e procurar entretenimento à sua maneira, normalmente destrutiva. Precisa de companhia e estímulo; não é um cão para quem passa o dia fora de casa.
Educação e formação
Educar um Otterhound é um exercício de paciência e bom humor. Ele é inteligente, percebe as coisas, mas sua independência de cão e seu nariz dominante fazem com que ele não obedeça por prazer como faria um Border Collie ou um Golden. É preciso motivá-lo, não impô-lo.
As chaves que funcionam: reforço positivo (recompensas de comida, que ele adora), sessões curtas e divertidas, e muita constância. A socialização precoce é fundamental para que sua sociabilidade natural se estabeleça e para acostumá-lo a gatos e animais pequenos se eles vão conviver. A chamada (o “aqui”) é o ponto mais difícil: Quando segue um rasto, pode desconectar-se do mundo, por isso a segurança em áreas abertas exige trabalho específico ou mantê-lo com uma longa correia. Treinamento duro ou baseado em punição não só é desnecessário, mas contraproducente com um cão tão nobre e sensível.
Exercício e atividade
Aqui não há atalhos: o Otterhound precisa de exercício real. Foi selecionado durante gerações para trabalhar dias inteiros em rios frios e terrenos difíceis, com uma resistência física notável. Uma curta caminhada até a quadra não lhe basta nem de longe.
O ideal é combinar caminhadas diárias longas, momentos de olfato e jogo, e sempre que possível, natação: Adora a água e nada de maravilhoso graças às suas patas palmadas. As atividades de rastreamento (mantrailing, jogos de nariz) são perfeitas para ele porque canalizam seu instinto e cansam-no mentalmente. Um Otterhound bem exercitado é um cão calmo e feliz em casa; um que não gasta energia torna-se barulhento, inquieto e destrutivo.
Cuidados: pelagem e higiene

Seu manto duplo é o sinal de identidade da raça: uma camada externa áspera, densa e impermeável entre 4 e 8 cm, e um subcouro mais lanoso e isolante.
Não é um cão de barbearia sofisticada, mas sim de convivência “campestre”: arrasta água, lama e cheiro de cão para dentro da casa, especialmente depois de um banho no rio. Banhos completos, só quando necessário, e secar bem o subcouro. Como em todas as raças, é preciso verificar e limpar as orelhas pendentes (propensas à umidade), escovar os dentes e cortar as unhas regularmente. Quem não tolera alguma sujeira e desordem não vai gostar deste cão.
Alimentação
O Otterhound é um cão grande e ativo, por isso precisa de uma dieta completa e equilibrada de acordo com seu tamanho, idade e nível de atividade, com proteína de qualidade. A ração deve ser ajustada para mantê-lo em um peso saudável: o excesso de peso castiga suas articulações e seu coração.
O ponto crítico é o torção gástrica(dilatação-volvulus), ao qual esta raça é especialmente propensa. Para reduzir o risco, recomenda-se dividir a comida em duas doses diárias em vez de uma só, evitar exercícios intensos antes e depois de comer e não deixar engolir água e ar de repente após o esforço. Qualquer sinal de abdômen inchado, arcos improdutivos ou inquietação súbita deve levar-se urgentemente ao veterinário: A torção é uma emergência vital.
Saúde e esperança de vida
A expectativa de vida do Otterhound ronda os 10 anos, de acordo com uma pesquisa de membros do clube da raça no Reino Unido, que revelou uma média de 10,21 anos.
O problema de saúde mais assinalado naquela mesma pesquisa é o torção gástrica: A doença afetou 9% dos animais e foi responsável por 7,4% das mortes, um dado muito relevante que obriga a tomar precauções extremas na alimentação. Como na maioria das raças grandes, também é conveniente vigiar a saúde articular (costas e cotovelos) e, dado o tamanho muito pequeno da população da raça, confiar em criadores sérios que trabalhem a diversidade genética e fazem testes de saúde. Os exames veterinários periódicos, o controlo do peso e a boa higiene dos ouvidos completam a prevenção.
Aspecto físico
Os machos medem cerca de 69 centímetros na cruz e as fêmeas cerca de 61 cm, com um peso que geralmente se situa entre os 36 e 52 kg. A cabeça é profunda, não larga, e o pêlo forma uma espécie de barba e bigode muito característicos.
Os olhos estão afundados e as orelhas são longas, pendentes e enrolam-se ligeiramente para dentro, criando essa dobra “drapeada” tão própria da raça. O pescoço é comprido, com uma pequena palmada permitida. Os membros são retos e bem musculosos, e os pés grandes, redondos, de almofadas grossas e palmeados, o que o torna um nadador excepcional. A cauda é grossa na base e não se enrola na parte de trás. O manto, de 4 a 8 cm, é denso, áspero e impermeável, com aparência quebrada. As cores reconhecidas incluem manto inteiro, cinza grisalho (grizzle), areia, vermelho, trigo e azul, com marcas brancas admitidas, além de manchas de limão, azul ou “maçã”.
Origem e história
O Otterhound é um cão profundamente inglês, ligado a uma atividade hoje desaparecida: A caça da otária. A caça de otrias remonta à Idade Média (há referências já no século XIV, nos tempos de Eduardo III), mas a raça como tal só pode ser rastreada claramente até o século XVIII, e sua primeira aparição documentada em uma exposição canina foi em Leeds em 1861. Os primeiros Otterhounds parecidos com os atuais aparecem no noroeste da Inglaterra na primeira metade do século XIX, com rebanhos tão famosos como a Hawkstone Otter Hunt.
Dizia-se que o Otterhound precisava de “a coragem de um Bulldog, a força na água de um Terranova, o olfato de um Pointer, a sagacidade de um Retriever, a resistência de um Foxhound, a paciência de um Beagle e a inteligência de um Collie”. Para forjar esse cão total, na segunda metade do século XIX foram cruzados grifões franceses, incluindo contribuições de Grand Basset Griffon Vendéen, e no início do século XX foi adicionado o Griffon Nivernais; um cão concreto, “Boatman”, cruzamento de Grand Griffon Vendéen e Bloodhound, tornou-se antepassado de várias linhas.
Em 1978, após o declínio das populações de lontra, esta foi declarada espécie protegida na Grã-Bretanha e a caça cessou.
Curiosidades
- A raça nativa mais ameaçada do Reino Unido. Com cerca de 600 exemplares no mundo e apenas 41 registros em 2016, o Kennel Club o inclui na sua lista de raças nativas vulneráveis.
- Um nadador natural. Os seus pés palmeados e o seu pêlo impermeável tornam-no um dos cães mais aquáticos que existem.
- Um cheiro de lenda. podia seguir o rasto de uma otária na água horas depois de ela ter passado.
- Voz de barítono. Seu uivado profundo e melodioso servia para guiar os caçadores; é dos cães mais “faladores”.
- “O cão que precisa de sete cães”. A velha descrição que reuniu as virtudes de sete raças diferentes resume o que é tão especial.
Se você é atraído pelo caráter nobre e trabalhador do Otterhound, talvez esteja interessado em outros cães de água e cães semelhantes. Você pode dar uma olhada no Bloodhound, parente direto e mestre do rasto; no Basset Hound, outro cão de estimação de olfato e orelhas lendárias; no Beagle, cão de estimação alegre e sociável na versão compacta; ou no Terranova, o gigante da água cuja força aquática foi citada como modelo para o próprio Otterhound.
Perguntas frequentes sobre o Otterhound
O Otterhound é um cão estranho?
Sim, muito. É considerada a raça nativa mais ameaçada do Reino Unido: estima-se que existam cerca de 600 exemplares em todo o mundo e em 2016 foram registrados apenas 41 filhotes novos. Encontrar um Otterhound fora das Ilhas Britânicas é difícil, e quem o consegue geralmente entra em listas de espera de criadores muito pequenos.
Quanto tempo vive um Otterhound?
Uma pesquisa com membros do clube da raça no Reino Unido colocou a expectativa de vida média em cerca de 10 anos (10,21 segundo esse estudo), um número normal para um cão de seu tamanho.
O Otterhound cheira e baba muito?
Seu pêlo áspero e impermeável, projetado para a água, retém umidade e odores mais do que o de outras raças, especialmente a barba depois de beber.
Você se dá bem com as crianças?
Geralmente sim. É um cão jovial, tolerante e de bom caráter, que geralmente se encaixa bem em famílias. É claro, é grande e desajeitado quando se emociona, por isso é conveniente supervisionar o trato com crianças pequenas para evitar empurrões ou quedas involuntárias.
Precisa de muito exercício?
É um cão de resistência criado para trabalhar horas na água e no solo, com energia média-alta. Precisa de longas caminhadas, olfato e, se possível, natação. Um Otterhound entediado e sem esforço físico pode tornar-se barulhento e destrutivo.
Pode viver num apartamento?
Não é o seu habitat ideal. É um cão grande, ativo e com uma voz forte e grave que usa com entusiasmo. Pode adaptar-se a um piso se receber muito exercício diário, mas é muito mais confortável em uma casa com jardim e espaço, de preferência longe de vizinhos muito apegados.
É fácil de treinar?
É inteligente, mas independente e de olfato dominante, típico dos cães. Aprende, embora a seu ritmo e com distrações olfativas constantes. Funciona com reforço positivo, paciência e curtas sessões; o treinamento baseado na dureza não dá resultado com ele.
Quanto tempo leva o seu pelo a ser mantido?
Um penteado completo uma ou duas vezes por semana para evitar nódulos no manto áspero e desenredar a barba. Não requer peeling profissional constante, mas sim atenção após banhos em rio ou lama. É um cabelo que suja o ambiente, mais do que um que exige um penteado sofisticado.