Terrier Brasileiro, perro de raza

Terrier Brasileiro

O terrier brasileiro (fox paulistinha) é um terrier pequeno, ágil e esperto. Descubra seu caráter, cuidados, educação, saúde e se ele se encaixa com você.

OrigemBrasil
Grupo FCIGrupo 3 - Terriers
TamanhoPequeno
AlturaMachos 35-40 cm; fêmeas 33-38 cm
PesoAté 10 kg (7-10 kg)
Esperança de vida12-14 anos
Energiaalta
PelúciaCurto, liso e fino; tricolor (branco com fogo e preto, azul ou marrom)
Função originalCaçador de ratos, cão de aviso e companhia
InteligenteVivoAlertaCaçadorBrinquedo

O Terrier Brasileño é o terrier do Brasil por excelência: pequeno, ágil, muito esperto e com uma energia que não conhece descanso. Conhecido carinhosamente como folha paulistinha, nasceu para caçar ratos em fazendas e armazéns, e hoje é um companheiro vivaz e vigilante que apaixona quem procura um cão desperto, desportivo e de cuidados simples. Antes de se apaixonar por essa cara tricolor, é bom saber como é a Terrier Brasileño e se se encaixa na sua vida.

É o Terrier Brasileiro para ti?

O Terrier Brasileiro é um cão de caráter forte dentro de um corpo pequeno. Não é uma mascote decorativa nem um cão de sofá: Ele precisa de atividade, companhia e de alguém que goste do seu terrier. Se procuras um cão calmo e de baixa manutenção mental, provavelmente não é a tua raça. Se, por outro lado, quiser um companheiro desportivo, alegre e sempre disposto, pode ser uma ótima escolha.

A favor.

  • Tamanho prático: cabe em apartamentos e carros sem problema.
  • Muito inteligente e rápido a aprender.
  • Cabelo curto: limpeza mínima, sem cabeleireiro.
  • Atlético e brincalhão, ideal para vida ativa e esportes caninos.
  • Vigilante e avisador: bom cão de alarme.
  • Saudável e rústico, de cuidados simples.

A ter em conta

  • Muita energia: aborrecido, ladra, escava e destrói.
  • Alto instinto de caçador: mau companheiro para roedores ou aves.
  • Barulhento e reativo a ruídos e desconhecidos.
  • Precisa de socialização precoce e firme.
  • Não tolera bem a mão dura nem longas horas de solidão.
  • Não é a opção ideal com crianças muito pequenas.

Caráter e temperamento

Cabeça de Terrier Brasileiro com expressão atenciosa
Terrier Brasileiro. Foto: Sini Merikallio, CC BY-SA 2.0, através do Wikimedia Commons

Se tivéssemos que resumir o Terrier Brasileiro em três palavras seria alegre, alerta e curioso. É um cão vivaz que não perde um som nem um movimento: está sempre em guarda, investigando, perseguindo ou pedindo brincadeira. Essa intensidade o torna um companheiro muito divertido para quem o acompanha, e um pequeno turbilhão para quem esperava um cão calmo.

Com a sua família é afetuoso, leal e muito sociável, e mantém o espírito brincalhão muito além da fase de filhote. Com os estranhos, por outro lado, tende a ser reservado e desconfiado; sem boa socialização, pode tornar-se muito latente ou até mesmo reativo. É um cão inteligente e independente – herança direta do seu passado como caçador autônomo de monstros – , por isso tem critérios próprios e não obedece “porque sim”: Tem de ser ganho.

Esse mesmo caráter alerta o torna excelente como cão de aviso: detecta qualquer novidade e anuncia sem hesitar. O outro lado da moeda é que, se sua energia não for gerenciada, os latidos, a escavação e a destruição aparecem rapidamente.

Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão

Com crianças: funciona bem com crianças mais velhas que entendem como tratar um cão, porque ele é incansável brincando. Com os mais pequenos, a supervisão constante é adequada: ele é sensível e pode reagir de forma brusca a puxões, abraços forçados ou manobras desajeitadas. Ensinar a criança a respeitar seu tempo e seu espaço é tão importante quanto educar o cão.

Com outros animais de estimação: aqui temos que ser realistas. O seu instinto de caça a roedores está muito vivo, por isso não é compatível com hamsters, coelhos, testículos ou aves: tendem a perseguir-los. Com os gatos pode-se chegar a se entender se crescer com eles e se socializar conscientemente, mas nunca é conveniente confiar totalmente. Com outros cães ele se dá melhor quando partilha o lar desde filhote; com estranhos pode ser desafiador, daí a importância da socialização.

No piso: seu tamanho não é problema e se adapta bem à vida urbana, desde que receba vários passeios e momentos de brincadeira diários. Diante da solidão: é um cão muito apegado que tem dificuldade em passar muitas horas sozinho. O tédio e a falta de companhia são a receita perfeita para latidos e destruição, por isso não é a raça ideal para quem está fora de casa o dia todo.

Educação e formação

Terrier Brasileiro em posição de exposição, de perfil
Terrier Brasileiro. Foto: Tomaсина, CC BY-SA 3.0, através do Wikimedia Commons

O Terrier Brasileiro é daqueles cães que aprendem no primeiro momento… o bem e o mal. Sua inteligência é uma arma de dois gumes: se você canalizá-la bem, você terá um aluno brilhante; se não, ele aprenderá apenas todos os tipos de travessuras. A boa notícia é que ele responde maravilhosamente ao reforço positivo: prêmios, jogo e clicker dão excelentes resultados em muito pouco tempo.

O que não funciona com esta raça é a imposição. Os métodos baseados na força ou em falsas premissas de “domínio” são inúteis e contraproducentes: O cão bloqueia, frustra-se ou rebeldes diretamente. Melhor sessões curtas, frequentes e divertidas, com objetivos claros e muita paciência. O socialização precoce– pessoas, cães, ruídos, ambientes – é o investimento mais rentável que faremos, porque previne a maioria dos problemas de reactividade em adultos.

É conveniente trabalhar cedo o autocontrole e o gerenciamento dos latidos, bem como uma boa chamada: com esse instinto caçador, um Terrier Brasileiro que não vem quando chamado pode se meter em sarilhos perseguindo qualquer coisa que se mova.

Exercício e atividade

Estamos diante de um cão atlético e de alta energia. Não lhe basta uma pequena caminhada: precisa de várias saídas por dia, momentos de jogo intenso e, se possível, desafios mentais. Ele adora correr, perseguir bolas, cheirar e resolver problemas, por isso os esportes caninos – agilidade, obediência, trabalho de cheiro – vêm como um anel no dedo e canalizam seu caráter hiperativo para algo útil.

A regra é simples: um Terrier Brasileiro cansado é um cão maravilhoso; um com energia acumulada se torna um demolidor de jardins e sofás. Se lhe der tempo físico e mental suficiente, em casa ele ficará calmo e equilibrado. Esse é provavelmente o fator que mais diferencia um exemplar feliz de um problemático.

Cuidados: pelagem e higiene

No setor de higiene, o Terrier Brasileiro é o mais confortável. Seu o cabelo é curto, liso e fino., sem subcouro lanoso, por isso não precisa de cabeleireiro ou cortes. Uma escovação semanal é suficiente para manter o manto limpo e brilhante e remover o cabelo morto. Claro, convém saber que muda com certa frequência, de modo que algum cabelo solto em casa é inevitável.

Os banhos devem ser apenas necessários, para não secar a pele. O resto da higiene é a rotina habitual de qualquer cão pequeno: revisar e limpar os orelhas(eles têm semi-mergulhados e dobrados, com a ponta caída), cortar os unhas quando são necessários e cuidar do higiene dental, um ponto especialmente importante em raças pequenas para prevenir o sarro. O seu cabelo curto também lhe dá proteção contra o frio intenso no inverno.

Alimentação

O Terrier Brasileiro não tem exigências dietéticas especiais, mas sim um metabolismo ativo de cão desportivo. O ideal é uma alimentação de qualidade, equilibrada e adaptada à sua idade, tamanho e nível de atividade, distribuída em rações controladas. Por ser pequeno, os excessos são notados rapidamente: O excesso de peso afeta as suas articulações e diminui a sua agilidade, por isso é conveniente controlar a quantidade e moderar os prêmios (especialmente se usá-los muito no treino).

Se tiver dúvidas sobre uma dieta específica ou mudanças de estágio (filho, adulto, idoso), o mais sensato é consultar o veterinário.

Saúde e esperança de vida

O Terrier Brasileiro é considerado uma raça rural e, em geral, saudável. Na verdade, seu reconhecimento oficial pela FCI exigiu demonstrar a ausência ou controle de doenças genéticas na população, o que fala bem do seu estado de saúde.

Mesmo assim, é conveniente aplicar a prevenção habitual para cães pequenos e ativos: cuidado da saúde dentária, atenção às articulações (a luxação da rótula é um clássico a ser vigiado em raças de tamanho pequeno), controle de peso e revisão periódica de ouvidos e olhos. Com vacinação diária, desparasitação, exercício e boa alimentação, seu esperança de vida costuma se situar em torno dos 12-14 anos, como em muitos pequenos terriers bem cuidados.

Aspecto físico

Terrier brasileiro tricolor de corpo inteiro olhando para a câmera
Terrier Brasileiro Foto: Juliana Lopes, CC BY 2.0, através do Wikimedia Commons

O Terrier Brasileiro é um cão de constituição leve e elegante, bem equilibrado e de linhas atléticas que lembram um fox terrier estilizado. Os os machos medem de 35 a 40 cm à cruz e os fêmeas de 33 a 38 cm, com um peso não superior normalmente a 10 kg.

A cabeça é em forma de triângulo, com crânio plano-redondo, stop marcado e focinho forte. Os olhos são grandes e redondos, o mais escuros possível, com uma expressão vivaz e atenta. Os orelhas são triangulares e semi-arredondados, dobrados com a ponta caída, uma característica muito característica.

O pelagem é curto, liso e fino. A cor é sempre tricolor: base branca com manchas de fogo (tan) e uma terceira cor que pode ser preto, azul ou marrom. Essa combinação tricolor sobre fundo branco, com a característica máscara no rosto, é a assinatura visual da raça.

Origem e história

O Terrier Brasileiro é uma das poucas raças caninas autóctones do Brasil e uma das duas reconhecidas internacionalmente. Chegou às terras brasileiras entre os séculos XIX e XX e, como bom terrier, ganhou o pão caçando ratos em fazendas, armazéns e depósitos, onde sua eficácia contra roedores o tornou muito valioso.

Sobre a sua origem exata convivem várias teorias. A mais oficial afirma que descende de terriers europeus – parson russell, jack russell e fox terrier de pelo liso – trazidos por famílias abastadas que viajavam para estudar em Londres e Paris e voltavam com esses pequenos cães, que, ao serem cruzados com cães de fazendas brasileiras, deram origem à nova raça. Outra hipótese diz que eles descendem dos terriers ratinhos que viajavam em navios mercantes como caçadores de ratos. E uma terceira, muito sólida do ponto de vista da aparência, aponta para as raças de ratos espanhóis – como o ratinho bodegairo andaluz e o ratinho valenciano – trazidas para o Brasil pela imigração e pela antiga União Ibérica.

Após anos de trabalho dos criadores, a raça obteve o reconhecimento provisório da FCI em 1995 e o definitivo em 2006, tornando-se a terceira raça canina originalmente brasileira aceita pela Federação Cinológica Internacional.

Curiosidades

  • No Brasil é popularmente conhecido como folha paulistinha, por sua semelhança com o fox terrier e por sua enraizamento histórico no interior do estado de São Paulo.
  • Também foi chamado simplesmente de “fox” no Rio Grande do Sul e “Foquinho” em Minas Gerais, um diminutivo carinhoso derivado de raposa(raça).
  • É uma das duas únicas raças caninas brasileiras reconhecidas mundialmente pela FCI.
  • A sua semelhança com o ratinho bodeiro andaluz é tão notável que alimentou uma das teorias sobre a sua origem espanhola.
  • Apesar do seu pequeno tamanho, era um trabalhador sério: guarda de armazéns e espancador de roedores antes de cão de companhia.
  • O seu carácter brincalhão não desaparece com os anos: muitos exemplares continuam a comportar-se como filhotes bem depois da maturidade.

Se você é atraído pelo perfil do Terrier Brasileiro – pequeno, esperto, atlético e vigilante – talvez também se encaixe em outras raças de espírito terrier ou caçador em miniatura. Veja o Yorkshire Terrier, outro pequeno com muito caráter; o Teckel (Dachshund), caçador tenaz de tamanho curto; o Beagle, cão alegre e com nariz incansável; ou o Chihuahua, companheiro minúsculo de enorme personalidade.

Perguntas frequentes sobre o Terrier Brasileiro

O Terrier Brasileiro é um bom cão de família?

Sim, dentro do seu perfil. Ele é afetuoso, brincalhão e muito apegado ao seu povo, e mantém esse espírito malicioso durante toda a vida. Em troca, ele pede companhia, exercício diário e regras claras desde o filhote. Ele se encaixa melhor em lares ativos do que em lares onde passa muitas horas sozinho ou sem estímulos.

Quanto mede e pesa um terrier brasileiro?

É um cão pequeno-médio. Os machos medem entre 35 e 40 cm na cruz e as fêmeas entre 33 e 38 cm. O peso geralmente não excede os 10 kg, movendo-se a maioria em torno de 7-10 kg. É um cão leve, atlético e de linhas estilizadas.

O Terrier Brasileiro se dá bem com as crianças?

Com crianças mais velhas que sabem respeitar o cão, ele costuma ser um companheiro de brincadeira infatigavel. Com crianças muito pequenas, convém supervisionar sempre: é um terrier sensível que pode reagir de forma brusca a puxões ou manobras desajeitadas. A chave é ensinar as crianças a tratá-lo com calma e deixá-lo seu espaço.

Pode viver num apartamento?

Sim, desde que suas necessidades sejam atendidas. Não é um cão de tamanho problemático para um piso, mas sua energia e sua tendência para ladrar exigem vários passeios e momentos de brincadeira por dia. Um terrier brasileiro bem exercitado descansa tranquilamente em casa; um entediado ladra, raspa e destrói.

Você se dá bem com gatos e outros animais de estimação?

O seu instinto de caçador de roedores é muito forte, por isso não é a melhor opção para conviver com hamsters, coelhos ou aves.

O Terrier Brasileiro ladra muito?

Ele é ladrão por natureza: vigia, avisa e reage a qualquer ruído ou movimento. Esse caráter alerta o torna um bom cão de aviso, mas também pode se tornar em latidos excessivos se estiver entediado.

Quanto tempo vive o Terrier Brasileiro?

É uma raça rústica e, em geral, saudável. Como muitos terriers pequenos bem cuidados, sua expectativa de vida geralmente se situa em torno de 12-14 anos. Uma boa alimentação, exercício, controle veterinário e cuidados dentários ajudam a crescer em plena forma.

É difícil educar?

É muito inteligente e aprende muito rapidamente, o bom e o mau. Com reforço positivo (prêmios, clicker, jogo) dá resultados magníficos; com métodos duros ou de “dominação” ele bloqueia ou se torna um desastre. Não é um cão para mão dura, mas para constância, paciência e sessões curtas e divertidas.