O Drever é um cão de caça sueco de patas curtas e corpo alongado, criado para rastrear e levantar veados, lebres e raposas empurrando-os lentamente para o caçador. Por trás da sua silhueta de cão “bajito” há um trabalhador incansável, de olfato muito fino e caráter equilibrado, que na sua Suécia natal vive principalmente em casas de caça, mas que, claro, também pode ser um companheiro familiar afável e sociável. Se procura um cão médio, robusto, vocal e com muita resistência, o Drever merece que o conheça bem.
É o Drever para ti?
O Drever é um cão de trabalho com alma de caçador, e isso condiciona quase tudo o mais. Não é um cão de exposição que se contenta com dois passeios curtos: precisa usar o nariz, se mover e sentir que tem um propósito. Em troca, ele lhe dá um temperamento estável, carinhoso com seu povo e uma rusticidade incomum. Antes de se apaixonar por sua cara de cão, pense no que é bom e no que é menos bom.
A favor.
- Caráter equilibrado: nunca ansioso, agressivo ou com medo segundo o seu padrão.
- Muito sociável e amável com a família, incluindo as crianças.
- Resistência e rusticidade enormes; um cão saudável e funcional.
- Cabelo curto, fácil de manter.
- Tamanho manuseável (médio-pequeno) com corpo forte.
- Olfato excepcional: brilha no rastreamento e na caça.
Contra
- Barba e dá voz, não é um cão silencioso.
- Alto instinto de caça: tende a seguir rastros e a fugir.
- Independente e um pouco teimoso, não é ideal para novatos.
- Precisa de exercício diário e estimulação olfativa.
- Raça rara fora da Escandinávia; difícil de encontrar.
- Aborrecido ou sozinho por muitas horas, pode falar e ficar frustrado.
Caráter e temperamento

O Drever combina dois mundos que nem sempre convivem no mesmo cão: a tenacidade do cão de caça e a calma amável do companheiro de casa. Seu padrão o descreve claramente como um cão de temperamento equilibrado, nunca ansioso, agressivo ou tímido.
No dia-a-dia, ele se traduz em um cão carinhoso, que procura sua família e se integra bem na vida doméstica. Esse rosto simpático, no entanto, convive com um instinto de rastreamento muito forte: Quando o nariz apanha um cheiro interessante, o Drever concentra-se nele com uma determinação quase obsessiva. Daí a sua reputação de ser independente e até teimoso. Não é um cão que obedece por prazer; obedece quando entende o porquê e quando confia no que o guia.
É também um cão que se expressa com a voz. Como um bom cão de estimação, ele respira, ladra e “canta” quando brinca, quando avisa ou quando segue um rasto. Quem procura um cão silencioso de piso pequeno deve ter isso muito presente.
Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão
Com crianças. O Drever é geralmente um excelente cão de família: paciente, tolerante e de bom fundo. Seu tamanho médio e seu caráter estável o tornam um bom companheiro de brincadeira para crianças, sempre com a supervisão e o respeito mútuo que qualquer cão merece.
Com outros cães. Por sua origem como cão de bando tende a se dar bem com seus congêneres e a desfrutar da companhia canina. Uma socialização precoce estabelece essa base social.
Com outros animais. Aqui convém cautela. É um caçador com um instinto de presa real, pensado para perseguir lebres, raposas e corvos. A convivência com gatos, coelhos ou outros animais pequenos não é impossível, mas exige apresentações graduais e, em muitos casos, vigilância constante.
Piso e solidão. O Drever pode viver no chão se lhe for dado exercício suficiente, mas sua tendência a vocalizar e sua necessidade de atividade o tornam mais feliz em lares com fácil acesso ao exterior.
Educação e formação
Não nos enganemos: o Drever não é o cão mais fácil de treinar, e por isso não é a melhor escolha para um proprietário recém-chegado. É inteligente, sim, mas também independente e um pouco teimoso; a obediência não é “de fábrica”. Precisa de um líder calmo, coerente e firme, que estabeleça regras claras desde filhote e as mantenha.
A chave está no reforço positivo e em aproveitar o que o motiva mais: A comida e, sobretudo, o olfato. As sessões curtas, variadas e motivadoras funcionam muito melhor do que as longas e repetitivas, que o entediam. Trabalhar a chamada (o recall) é prioritário e, ao mesmo tempo, o mais difícil: Quando um Drever pega num rasto, o seu cérebro vai atrás do cheiro. É por isso que é conveniente reforçar o apelo desde o início e ser realista quanto às libertações em zonas não fechadas.
A socialização precoce – pessoas, cães, ambientes, ruídos – arruma um cão já equilibrado e evita timidez ou reactividades.
Exercício e atividade

Aqui está o coração da raça. O Drever foi criado para trabalhar durante horas seguindo um rasto por um terreno difícil, mesmo com neve, e essa resistência leva-o para dentro, mesmo que viva num sofá. Ele precisa de exercício diário de verdade: longas caminhadas, exploração e, muito importante, estímulo olfativo. Um Drever que não usa o nariz é um Drever a meio gás.
Mais do que corridas explosivas, o seu é a atividade sustentada: caminhadas, caminhadas, rastreamento esportivo (mantrailing), jogos de busca de comida e trabalho de nariz. Estas atividades cansam o seu corpo e, acima de tudo, a sua mente, que é o que realmente o deixa satisfeito. Onde a lei o permite e o proprietário caça, continua a ser um cão de caça de primeira para corzo, lebre e raposa.
Cuidado com o corpo alongado: embora seja um cão de trabalho robusto e nada exagerado, é conveniente evitar saltos repetidos de altura e o excesso de peso para cuidar de sua volta.
Cuidados: pelagem e higiene
O seu cabelo é curto, denso e apegado ao corpo, pensado para resistir ao tempo. A manutenção é simples: uma escovação semanal é suficiente para remover o cabelo morto e distribuir a gordura natural que mantém o manto saudável e brilhante.
Banhos, apenas os necessários; um excesso seca a pele. Como um bom cão de orelhas caídas, seus ouvidos precisam de revisão e limpeza periódica para prevenir infecções, já que a orelha pendente ventila pior. Complementa a rotina com corte de unhas quando necessário e boa higiene dental.
Alimentação
O Drever precisa de uma dieta completa e equilibrada, ajustada à sua idade, ao seu peso e – sobretudo – ao seu nível de atividade. Um exemplar que caça ou treina em rastreamento gasta muito mais energia do que um que leva uma vida familiar tranquila, e a ração deve refletir isso.
O maior risco dietético é o excesso de peso. É um cão gordinho e de corpo longo, uma combinação em que cada quilo a mais castiga as articulações e a espinha. É conveniente medir as rações, vigiar os sussurros (muito úteis, contudo, como prêmio no treino) e controlar a condição física regularmente. Água sempre fresca e disponível, e distribuição em duas refeições por dia como padrão razoável para um cão adulto.
Saúde e esperança de vida
O Drever tem uma merecida reputação de cão rústico e saudável, sem uma longa lista de doenças hereditárias que o definem. A sua expectativa de vida está habitualmente em torno dos 12 a 15 anos. É conveniente matizar este otimismo com um dado real: Um estudo sueco de registos de seguros de 2005 descobriu que 45% dos Drevers morriam antes dos 10 anos, um número ligeiramente superior à média canina desse estudo (35%).
Como em qualquer cão de orelhas caídas, as orelhas merecem vigilância para evitar otite. A sua anatomia de corpo longo aconselha-nos a cuidar das costas evitando o sobrepeso e os saltos bruscos. E há um detalhe de cor com base genética: Os exemplares totalmente brancos estão associados a um maior risco de surdez congênita, razão pela qual o padrão exige sempre marcas brancas mas nunca um manto inteiramente branco. Revisões veterinárias periódicas, vacinação, desparasitação e controlo de peso são a melhor receita para uma vida longa.
Aspecto físico

O Drever é um cão de formato retangular: corpo longo e patas curtas, mas sem as proporções extremas de um Teckel ou Basset. Esse é justamente seu sinal de identidade funcional: baixo o suficiente para trabalhar devagar no rastro, atlético o suficiente para suportar horas no monte. É um cão forte e bem proporcionado, todo musculoso sob um tamanho contido.
De acordo com o padrão da FCI (no 130), a elevação à cruz ideal é de cerca de 35 cm em machos (range 32-38 cm) e 33 cm em fêmeas (range 30-36 cm), com um peso aproximado de 14 a 16 kg. A cabeça é típica de cão de caça, com orelhas de inserção média, pendentes e de comprimento moderado, e uma cauda longa que geralmente leva algo levantado em ação.
O cabelo é curto, denso e bem colado. Quanto à cor, é admitida a cor qualquer desde que haja marcas brancas visíveis: os mantos mais habituais são o vermelho (leonado) e branco e o tricolor (preto, fogo e branco).
Origem e história
O Drever é um cão genuinamente sueco, mas suas raízes são alemãs. Descende do Teixeira da Westfalia(Westfälische Dachsbracke), um pequeno cão de pernas curtas do tipo Bracke, trazido da Alemanha para a Suécia por volta de 1910 para rastrear veados.
Por volta dos anos 40 existiam na Suécia dois tamanhos diferenciados deste Dachsbracke. Para baptizar a variedade um pouco maior, um jornal organizou em 1947 um concurso de nomes: o escolhido foi o Drever, derivado da palavra sueca drev, que designa a modalidade de caça em que os cães conduzem a peça lentamente para o caçador. No mesmo ano de 1947, o Clube Canino Sueco reconheceu-o como uma raça independente.
O reconhecimento atravessou fronteiras: O Canadian Kennel Club o admitiu em 1956 e o United Kennel Club americano em 1996. Internacionalmente é reconhecido pela FCI dentro do Grupo 6 (cavalos e raças semelhantes), Seção 1.3, cães de pequeno porte. Nos Estados Unidos figura no programa Foundation Stock Service do AKC. Fora da Escandinávia, continua a ser uma raça rara, promovida principalmente como cão de caça e, em menor medida, como animal de estimação raro.
Curiosidades
- Seu nome nasceu de um concurso de jornalismo em 1947 e vem de drev, “batida” ou caça na qual a peça é conduzida.
- Na Suécia, o Drever é principalmente um cão de caça: raramente é mantido apenas como animal de estimação.
- As patas curtas não são um capricho estético: permitem mover o corzo – uma presa muito nervosa – devagar e sem alarmá-lo, mesmo com neve tardia.
- Compartilha ancestral, o Dachsbracke, com cães tão diferentes em aparência como o Teckel (Dachshund).
- O padrão proíbe o manto totalmente branco pela sua associação genética com a surdez congênita.
- É um cão “que canta”: a sua voz de cão-cão faz parte do seu trabalho e do seu carácter.
Se você é atraído pelo perfil do Drever – cão compacto, nariz e voz – outras raças afins também podem ser interessantes. Dê uma olhada no Beagle, outro cão médio social e olfativo; no Basset Hound, o rastreador de patas curtas por excelência; no Dachshund (Teckel), que compartilha esse ancestral Dachsbracke; e no Bloodhound, o rei do rastreamento por olfato.
Perguntas frequentes sobre o Drever
O Drever é um bom cão de companhia para famílias?
Sim, pode ser. É afetuoso, sociável e equilibrado, e geralmente se integra bem em lares ativos com crianças. Mas mantém um forte instinto de caça e necessidade de exercício, por isso se encaixa melhor com famílias que podem dar-lhe longas caminhadas e estímulos olfativos diários.
Quanto mede e pesa um Drever?
De acordo com o padrão da FCI, a altura ideal é de cerca de 35 cm em machos (32-38 cm) e 33 cm em fêmeas (30-36 cm), com um peso aproximado de 14 a 16 kg. É um cão médio-pequeno de corpo longo e pernas curtas, mas robusto e atlético.
O Drever ladra muito?
Tende a ser vocal. Como um bom cão, ele ladra e “dá voz” ao brincar, ao avisar e ao seguir um rasto. Não é o cão ideal se você precisa de um companheiro silencioso para um apartamento com vizinhos muito sensíveis ao ruído.
É fácil treinar o Drever?
Não especialmente. É inteligente, mas independente e um pouco teimoso, por isso não é recomendado para novos donos. Responde bem ao reforço positivo, a sessões curtas e ao trabalho de olfato, mas requer uma liderança calma, coerente e constante.
Quanto tempo vive um Drever?
Sua expectativa de vida é de cerca de 12 a 15 anos. É uma raça rústica e saudável, embora um estudo sueco de seguros de 2005 observou que 45% morriam antes dos 10 anos. O controle de peso e revisões veterinárias periódicas ajudam a uma longa vida.
O Drever dá-se bem com outros animais?
Com gatos, coelhos ou outros animais pequenos deve-se ir com cuidado: seu instinto de presa é real, por isso é conveniente a socialização precoce, apresentações graduais e supervisão.
Quanto exercício precisa um Drever?
Ele foi criado para trabalhar horas seguindo um rasto, por isso precisa de exercício diário sustentado e, acima de tudo, estímulo olfativo: longas caminhadas, caminhadas, rastreamento e jogos de busca. Sem atividade suficiente, pode ficar entediado e tornar-se mais vocal.
De onde vem o Drever?
É uma raça sueca criada a partir do Tejonero de Westfalia alemão, levado para a Suécia por volta de 1910 e cruzado com outros cães.