Portuguese Sheepdog, perro de raza

Portuguese Sheepdog

O Cão de Pastor Português (Cão da Serra de Aires): carácter, cuidados, educação, saúde e origem desta raça portuguesa inteligente e muito activa.

OrigemPortugal (Serra de Aires, Alentejo)
Grupo FCIGrupo 1 (cães-pastores e bovinos)
TamanhoMédio
Altura45-55 cm (machos; fêmeas ligeiramente menos)
Peso17 a 27 kg
Esperança de vida12-14 anos
Energiaalta
PelúciaLargo, áspero "de cabra", sem pêlo inferior; amarelo, castanho, cinzento, leonado, lobo e preto com marcas de fogo
Função originalPastoreio e condução de rebanhos
InteligenteMuito vivo e ativoCarinhoso e lealRufástico e saudávelSociável

O Cão de Pastor Português– conhecido na sua terra como Cão da Serra de Aires– é uma das raças autóctones mais singulares de Portugal: Um pastor de tamanho médio, de cabelo comprido e desleixado, olhar miserável e energia inesgotável. Criado durante gerações para conduzir rebanhos nas montanhas do Alentejo, hoje conquista as famílias pela sua inteligência, pelo seu carácter alegre e pela cara peluda que lhe valeu o apelido de “cão macaco”. Se você está procurando um parceiro ativo, inteligente e com muita personalidade, continue lendo: Esta raça tem muito a oferecer, mas também exige o seu.

É o Cão de Pastor Português para ti?

Antes de se apaixonar por essa cara peluda, é melhor ser honesto: o Cão de Pastor Português é um cão de trabalho com alma de trabalhador. Ele se encaixa maravilhosamente com pessoas e famílias ativas, mas pode ser cansativo para quem procura um animal de estimação calmo e de baixa manutenção. Aqui tem um balanço rápido para ajudá-lo a decidir.

A favor.

  • Inteligência excelente e grande facilidade de aprendizagem.
  • Muito carinhoso e leal, liga-se intensamente à sua família.
  • Tamanho médio e manuseável, adequado para casa com jardim.
  • Rústico e saudável, sem doenças hereditárias documentadas.
  • Versátil: serve para pastoreio, agilidade, obediência e esporte canino.
  • Caráter alegre, divertido e sempre pronto para a ação.

A ter em conta

  • Ela precisa de muito exercício e estímulo mental todos os dias.
  • Aborrece-se facilmente e pode tornar-se destrutivo ou barulhento.
  • O cabelo comprido requer um penteado frequente para não ficar sujo.
  • Seu instinto de pastoreio pode levá-lo a “conduzir” crianças ou animais de estimação.
  • É uma raça rara: é difícil encontrar criadores fora de Portugal.
  • A solidão prolongada não é boa para ele.

Caráter e temperamento

Cabeça do Cão de Pastor Português com o seu característico cabelo no rosto
Foto: Jmanur, CC BY-SA 4.0, através do Wikimedia Commons

Se há uma palavra que define esta raça, é vivacidade. O próprio padrão da Fédération Cynologique Internationale descreve o exemplar ideal como “excepcionalmente inteligente e muito vivo”, e quem convive com um o confirma imediatamente. É um cão alerta, curioso e com uma capacidade de aprendizagem surpreendente, fruto de séculos de seleção para tomar decisões por si mesmo enquanto guiava rebanhos por terrenos difíceis.

Com a sua família ele mostra-se profundamente afetuoso e apegado. Gosta de participar em tudo o que acontece em casa e não é bom ficar de fora. Essa devoção tem a sua contrapartida: É um cão que precisa de companhia e que sofre se for deixado sozinho. Com os estranhos, ele geralmente é reservado, mas não agressivo, e seu instinto natural faz dele um bom cão de alarme, sempre atento a qualquer novidade.

Seu temperamento tem um ponto malicioso e palhaço que o torna tremendamente divertido. Ele não é um cão que se contenta com dormir; ele quer fazer coisas, resolver desafios e estar em movimento. Bem canalizado, essa faísca é uma delícia; negligenciada, torna-se uma frustração.

Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão

O Cão de Pastor Português é, antes de tudo, um cão sociável que gosta da vida em família. Com as crianças geralmente se comporta de forma paciente e protetora, e sua energia o torna um companheiro de jogo ideal para os mais pequenos, sempre sob a supervisão adequada. Seu instinto de pastoreio pode surgir sob a forma de tentativas de “conduzir” as crianças dando pequenos empurrões ou rodeando-as; não é agressividade, mas trabalho em seu DNA, e é facilmente corrigido com educação precoce.

Com outros animais de estimação se dá bem, especialmente se cresceu com eles. Vindo de um ambiente onde convivia com gado, cavalos e até porcos, tende a aceitar outros animais com naturalidade. A socialização desde filhote é a melhor garantia de uma convivência harmoniosa.

Quanto ao piso, o seu tamanho médio não é um obstáculo, mas o espaço interior é o menos: O que ele realmente precisa é sair, mover-se e gastar a cabeça. Um exemplar bem exercitado pode viver perfeitamente na cidade. Quanto ao solidão, é o seu ponto fraco: Esta raça não é feita para passar longas horas sozinha. O isolamento gera ansiedade, barulho e comportamentos destrutivos. Se você trabalha longas horas fora de casa, pense em como atender às suas necessidades de companhia antes de decidir.

Educação e formação

Cão de Pastor Português de capa castanha com a língua fora
Foto: Jmanur, CC BY-SA 4.0, através do Wikimedia Commons

Poucas raças dão tanto valor ao treino como esta. Sua inteligência e sua vontade de agradar fazem com que assimile as ordens rapidamente, desde que o método seja o adequado. O reforço positivo– prêmios, jogo, elogios – é o caminho: responde fatal à brusquidade e maravilhosamente ao entusiasmo.

A chave está no variedade. É um cão que se entediou com a repetição mecânica, por isso as sessões curtas, dinâmicas e com novos desafios funcionam muito melhor do que as rotinas monótonas. É conveniente começar cedo com a socialização e a obediência básica, porque um cachorro de Serra de Aires é uma esponja que aprende o bem e o mal a toda velocidade.

Como um bom cão pastor, tem iniciativa própria e gosta de pensar. Aproveita essa qualidade para lhe colocar tarefas: procurar objetos, resolver jogos de inteligência, aprender novos truques. Um cão pastor português com a mente ocupada é um cão equilibrado e feliz.

Exercício e atividade

Aqui não há atalhos: esta é uma raça de alta energia que precisa se mover muito e muitas vezes. Um mínimo de uma a duas horas diárias de atividade física, combinadas com estímulo mental, é o que lhe permite manter o equilíbrio. Passeios tranquilos pelo bairro ficam curtos; agradece o exercício intenso, corridas, jogos com outros cães e excursões ao campo.

Onde realmente brilha é no desporto canino. Sua agilidade, obediência natural e vontade de trabalhar o tornam notável em disciplinas como agilidade, flyball, rastreamento, obediência de competição e, claro, testes de pastoreio. Estas atividades não só o cansam fisicamente, mas satisfazem a sua necessidade de ter uma “missão”, que é exatamente o que ele carrega dentro. Se lhe dás um emprego, ele devolver-te-á muito.

Cuidados: pelagem e higiene

Trata-se de um cabelos longos, de espessura média e textura áspera “de cabra”, com uma particularidade fisiológica: não tem pêlo subalternado. Isso significa que a muda não é tão aparente quanto nas raças de camada dupla, mas também que o cão é menos protegido contra os climas extremos.

O que é recomendável é um escovado várias vezes por semana, prestando especial atenção às áreas de fricção (axilas, orelhas, pernas) e à abundante pele do rosto.

É um detalhe próprio da raça: o cabelo do rosto cobre os olhos, por isso é conveniente vigiar para que não o incomode ou acumule sujeira.

Alimentação

Como cão ativo de tamanho médio, o Cão de Pastor Português precisa de uma dieta equilibrada e de qualidade que cubra o seu elevado gasto energético.

A quantidade deve ser adaptada à sua idade, peso, nível de atividade e estado físico. Como é um cão que queima muita energia, tolera bem refeições generosas quando trabalha ou faz muito exercício, mas é conveniente evitar o excesso de peso dividindo a comida em duas ingestões diárias e controlando os prêmios, especialmente se forem usados em abundância no treinamento. Tenha sempre água fresca à sua disposição, especialmente após sessões de exercício intenso.

Saúde e esperança de vida

Uma das grandes vantagens desta raça é o seu robustez. Sendo um cão rústico, forjado pelo trabalho e pouco manipulado geneticamente, não são conhecidas doenças hereditárias recorrentes bem documentadas.

Os seus principais riscos são mais ambientais do que genéticos. Na sua zona de origem é propenso à ehrlichiosis, uma doença transmitida por carrapatos, por isso uma boa prevenção antiparasitária é fundamental. Além disso, os exemplares mais velhos podem apresentar tumores abdominais, razão pela qual os especialistas aconselham realizar ecografias periódicas a partir dos oito anos de vida, para detectar qualquer problema a tempo.

Com os cuidados adequados – boa alimentação, exercício, desparasitação e exames veterinários – é um cão longevo e de vida ativa até idades avançadas.

Aspecto físico

Cão-pastor português de corpo inteiro
Cão de Pastor Português numa exposição canina. Foto: Tomaсина, CC BY-SA 3.0, via Wikimedia Commons

O Cão de Pastor Português é um cão de tamanho médio e corpo alongado, mais longo do que alto, com uma estrutura ágil e funcional pensada para o trabalho.

Seu sinal de identidade é o cabelos longos, sem pelos, de textura áspera “de cabra”, que lhe dá esse aspecto desleixado e rústico tão reconhecível. O rosto é coberto por abundante cabelo – sobrancelhas, barba e bigode – que lhe confere uma expressão miserável e simpática. Os orelhas caídas são inseridos altos e colados à cabeça, e o a fila é longa.: um rabo naturalmente curto é motivo de desqualificação no padrão, e nunca deve ser amputado.

Os cores de camada admitidos são variados: amarelo, castanho, cinza, leonado, cinza lobo (folha ou loureiro em português) e preto, muitas vezes com marcas de fogo.

Origem e história

O Cão de Pastor Português leva o seu nome português, Cão da Serra de Aires, da Serra de Aires, uma montanha perto de Monforte, na região do Alentejo. Os seus antepassados foram tradicionalmente empregados para conduzir todo o tipo de gado – vacas, ovelhas, cabras, cavalos e até porcos – por aquela paisagem árida e selvagem do sul de Portugal.

Como geralmente acontece com as raças trabalhadoras de origem humilde, sua história antiga é pouco documentada: Apenas existem registos de cães de guarda e de pastores anteriores a 1900. É reconhecido como um dos tipos antigos de cães de pastor europeus, intimamente relacionado com o Pastor dos Pirineus e o Pastor Catalão. A teoria mais aceita aponta para que descende de Briards(Pastor de Brie) importados para Portugal no início do século XX pelo Conde de Castro Guimarães, de Cascais, cruzados com o Pastor dos Pirineus.

O primeiro padrão da raça foi redigido por Antonio Cabral e Felipe Morgado Romeiros, e foi aceito pelo Clube Canino Português. O reconhecimento internacional chegou no 1996, da mão da FCI, sob o nome de “Portuguese Sheepdog”. Nos Estados Unidos, o United Kennel Club o reconheceu dentro de seu grupo de pastoreio em 2006. Exportado para outros países, tornou-se um apreciado cão de companhia na Europa e uma raça cobiçada por quem procura um animal de estimação incomum.

Curiosidades

  • O seu apelido mais carinhoso em Portugal é “Cão macaco”(cão macaco), pelo seu rosto peludo e a sua atitude vivaça, que lembra a de um pequeno primata.
  • É das poucas raças de pastor de pelo longo que o são completamente desprovidos de pelos, o que lhe dá uma textura de manto muito peculiar.
  • A paisagem da Serra de Aires é tão árida e dura que foi notado que a própria raça teve dificuldade em se adaptar a esse clima extremo.
  • Compartilha função tradicional com outras raças portuguesas de pastoreio e guarda de rebanhos em diferentes regiões do país, como o Cão da Serra da Estrela ou o Cão de Castro Laboreiro.
  • Uma cauda naturalmente curta (bobtail) desqualifica o exemplar no padrão: a cauda longa é uma característica distintiva indispensável da raça.

Se você é atraído pelo temperamento pastor e essa mistura de inteligência e energia, talvez esteja interessado em outras raças de trabalho com perfil semelhante. Você pode dar uma olhada no Border Collie, o pastor mais inteligente do mundo; no versátil Pastor Australiano; no clássico e elegante Collie; ou no enérgico Pastor de Shetland, todos eles cães de pastoreio com caráter, vontade de trabalhar e uma grande conexão com suas famílias.

Perguntas frequentes sobre o Cão de Pastor Português

O Pastor Português é um bom cão de família?

Sim. Embora tenha nascido como cão de trabalho para o pastoreio, hoje se tornou um excelente companheiro de família. É carinhoso, muito apegado aos seus e gosta da companhia. Claro, precisa ser integrado na vida doméstica: não é uma raça para deixar sozinha em um quintal, porque o vínculo com as pessoas faz parte do seu caráter.

Quanto exercício precisa por dia?

É um cão vivo, atlético e com um fundo físico notável herdado de gerações cuidando de rebanhos na serra. Tem um mínimo de uma a duas horas diárias de atividade dividida entre longas caminhadas, jogos e, acima de tudo, estímulo mental. Um exemplar entediado procurará maneiras de se entreter por conta própria, e nem sempre serão as que você gosta.

Larga muito cabelo?

Seu pelo é longo, de textura áspera “de cabra” e, curiosamente, carece de subpelo lanoso. Isso faz com que a muda não seja tão aparente quanto em raças com camada dupla densa, mas o manto se apague facilmente se não for escovado.

Você se dá bem com crianças e outros animais de estimação?

Em geral, sim. Com as crianças geralmente é paciente e protetor, desde que a convivência seja supervisionada e o cão seja bem socializado. Com outros cães e animais se entende bem, especialmente se cresce com eles; seu instinto de pastoreio pode levá-lo a “conduzir” crianças ou outros animais de estimação, um comportamento que é corrigido com educação.

É difícil educar?

Não, pelo contrário. O padrão da raça define-o como “excepcionalmente inteligente e muito vivo”, e aprende rápido. A chave está no reforço positivo, na variedade e na constância: é um cão que se entediou com a repetição mecânica e responde maravilhosamente quando o treinamento é apresentado como um jogo com sentido.

Pode viver num apartamento?

Pode, mas com condições. Não é um cão grande, por isso o espaço não é o principal problema; o determinante é o exercício e o estímulo diário. Um Cão de Pastoreio Português que sai pouco e se entediar em um piso irá desenvolver latidos, ansiedade ou comportamentos destrutivos. Com atividade suficiente, adapta-se bem à vida urbana.

Porque é que lhe chamam “cão macaco”?

É o seu apelido carinhoso em Portugal. Ganhou-o pela abundante pele que cobre o seu rosto – sobrancelhas, barba e bigode – e pela sua expressão miserável e desperta, que a muitos lembra a de um pequeno primata.

É uma raça saudável?

Como é uma raça rústica e pouco manipulada geneticamente, não são conhecidas doenças hereditárias recorrentes bem documentadas. Os seus principais riscos são ambientais: a ehrlichiosis transmitida por carrapatos, frequente na sua zona de origem, e o aparecimento de tumores abdominais em exemplares mais velhos, por isso são aconselhadas ecografias periódicas a partir dos oito anos.