Barbados da Terceira, perro de raza

Barbados da Terceira

Barbado da Terceira, cão pastor e guarda dos Açores: carácter, cuidados, educação, saúde e origem desta rara raça portuguesa de tamanho médio.

OrigemPortugal (ilha de Terceira, Açores)
Grupo FCINão reconhecida pela FCI; reconhecida pelo Clube Português de Canicultura (2004)
TamanhoMédio
AlturaMachos 52-58 cm; fêmeas 48-54 cm
PesoMachos 25-30 kg; fêmeas 21-26 kg
Esperança de vida12-14 anos (estimado)
Energiaalta
PelúciaLargo, abundante e ondulado, com pêlo inferior denso e barba característica; amarelo, cinzento, preto, leão ou lobo, com ou sem manchas brancas
Função originalPastoreio e condução de gado; guarda
InteligenteFielAfávelVoluntárioActivo

O Barbados da Terceira é um cão pastor e guarda originário da ilha de Terceira, no arquipélago português dos Açores. Rústica, equilibrada e profundamente ligada à sua família, é uma das raças caninas mais singulares e desconhecidas da Europa: um boiero de montanha do Atlântico que hoje ganha a vida como um fiel companheiro. Se procura um cão médio, ativo, sociável e com uma história insular fascinante, o Barbado da Terceira merece que o conheça em profundidade.

É a Barbados da Terceira para ti?

O Barbado da Terceira é um cão de trabalho convertido em companheiro, e isso marca seu perfil: precisa de uma família ativa que lhe dê exercício, contato e algo em que ocupar a cabeça. Em troca, oferece lealdade, alegria e uma nobreza incomum. Antes de procurar um, avalie honestamente se você se encaixa com seus prós e contras.

A favor.

  • Muito apegado e fiel à sua família.
  • Inteligente e fácil de aprender.
  • Equilibrado, alegre e amável em casa.
  • Rústico e resistente ao tempo.
  • Um bom guarda sem ser agressivo gratuitamente.
  • Socializável com crianças quando bem socializado.

A ter em conta

  • Precisa de muito exercício físico e mental.
  • Raça muito rara: difícil de encontrar e de criar.
  • O seu instinto de boiador pode fazê-lo pastorear ou controlar o movimento.
  • Caráter voluntário: requer orientação e constância.
  • Não é um cão para viver isolado num quintal.
  • O casaco comprido requer escovação regular.

Caráter e temperamento

Barbado da Terceira, retrato de macho adulto
Barbado da Terceira Foto: Andre Heuzer, CC BY-SA 3.0, através do Wikimedia Commons

O temperamento é, provavelmente, o melhor do Barbado da Terceira. As descrições oficiais e dos criadores definem-no como um cão inteligente, afável, alegre, doce e muito fiel ao seu dono, com uma marcada vontade própria.

Essa combinação de carinho e caráter tem uma raiz clara: Durante séculos, foi um boiero que decidiu sozinho, no campo, como conduzir e reunir o gado. Daí vem uma iniciativa notável e uma confiança em si mesmo que o tornam um companheiro alerta, atento e sem medo. Não é um cão nervoso, nem um cão que lata sem motivo, mas sim vigilante: Alerta o estranho e toma a sério o seu papel de guardião da casa.

No dia-a-dia se traduz em um cão expressivo, comunicativo e muito orientado para as pessoas. Desfruta da companhia, procura o contato e entrega-se à sua família, mas mantém esse ponto de autonomia que convém canalizar com educação e atividade.

Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão

Com crianças: O Barbado da Terceira é geralmente um cão tolerante, brincalhão e protetor com os pequenos da casa. Seu tamanho médio e seu caráter alegre o tornam um bom companheiro de brincadeiras, sempre com a supervisão e o respeito mútuo que qualquer cão merece.

Com outros animais de estimação:, sendo um cão de manejo de gado, convive bem com outros animais se for socializado desde o filhote. Pode mostrar tendência para “controlar” o movimento de outros cães ou pequenos animais de estimação – um eco de seu instinto de boiero -, mas não é agressividade, mas vontade de organizar a cena. A introdução gradual é a chave.

Apartamento e solidão: pode viver no chão sempre que receber exercício diário abundante, mas seu local ideal é uma casa com terreno para se mover. O que não tolera bem é a solidão prolongada: é um cão que precisa de vínculo e companhia, e isolado ou sem estímulo pode ficar entediado, frustrado e desenvolver comportamentos indesejáveis.

Educação e formação

Educar um Barbado da Terceira é, em geral, uma tarefa grata. O próprio Clube Português de Canicultura destaca o seu “ensino fácil”, isto é, a sua facilidade de aprendizagem, e os criadores concordam que é um cão que gosta de colaborar com o seu guia. Aprende rápido e retém bem o que lhe é ensinado.

A receita funciona melhor com reforço positivo: prêmios, jogo e voz amável. Ele responde mal à dureza, porque é um cão sensível que não precisa de pressão para se envolver. Seu único ponto delicado é a teimosia derivada de sua iniciativa: se percebe que as regras são negociáveis, ele tentará impor seu critério. Por isso, é conveniente ser coerente, claro e constante desde o filhote.

O socialização precoce é fundamental: expô-lo cedo a pessoas, outros cães, ruídos, cidade e campo constrói o adulto equilibrado que esta raça pode se tornar. Como cão de trabalho, agradece ter “deveres”: obediência, truques, trabalho de olfato ou pastoreio lhe dão o propósito que sua cabeça precisa.

Exercício e atividade

Barbados da Terceira trabalhando com gado
Barbado da Terceira trabalhando com gado na Terceira.

Aqui não há atalhos: o Barbado da Terceira é um verdadeiro cão boireiro, criado para conduzir e reunir vacas – até mesmo bovinos selvagens – pelo terreno irregular da Terceira durante longas jornadas. Essa herança exige uma boa dose de exercício diário. Falamos de pelo menos um ou dois longos passeios, completados com corrida, jogo e estimulação mental.

É um cão ágil, dinâmico e resistente que brilha em atividades onde pode usar corpo e cabeça ao mesmo tempo: Agilidade, obediência, rastreamento, mantrailing ou, claro, pastoreio se tiver acesso a isso. Não lhe basta dar voltas; precisa gastar energia e, acima de tudo, pensar. Um Barbados com sua dose de exercício coberta é calmo e manejável em casa; um entediado, por outro lado, encontrará uma maneira de se entreter, e nem sempre será do seu agrado.

Cuidados: pelagem e higiene

Barbados da Terceira de capa branca
Foto: Drealmere, CC BY-SA 4.0, através do Wikimedia Commons

O manto do Barbado da Terceira é longo, denso e ondulado, com um subcouro abundante que o protege do clima atlântico, úmido e ventoso dos Açores.

O ideal é um escovado bem duas ou três vezes por semana para evitar nós e remover o cabelo morto, prestando atenção às áreas que mais se entrelaçam: A característica barba debaixo da mandíbula, das orelhas, das axilas e dos fundos. Os banheiros são reservados para quando você realmente precisa, com shampoo específico para cães. Complementa a higiene com revisão periódica dos ouvidos (seu cabelo abundante retém umidade), corte de unhas e uma boa rotina dentária. Nas mudas da primavera e do outono, é conveniente intensificar a escovação.

Alimentação

Como qualquer cão médio e ativo, o Barbado da Terceira precisa de uma dieta completa e equilibrada, adaptada à sua idade, peso e nível de exercício.

É conveniente ajustar a ração ao seu gasto real: um exemplar que trabalha ou faz esporte vai precisar de mais energia do que um com vida tranquila. Divida a comida em duas tomadas diárias, controle o peso para evitar o excesso de peso – que castiga as articulações e o coração – e tenha sempre água fresca disponível.

Saúde e esperança de vida

O Barbado da Terceira é, antes de tudo, um cão rústico e funcional, fruto de gerações de seleção natural e de trabalho num ambiente exigente.

Como se trata de uma raça formalmente jovem e de população muito reduzida, ainda não existem grandes estudos de saúde nem números oficiais de longevidade publicados. Por seu tamanho e tipo, o razoável é esperar uma expectativa de vida na linha de outros cães pastores médios, em torno de de 12 a 14 anos, sempre como estimativa orientativa e não como dado confirmado. Como em todos os cães de trabalho de tamanho médio, convém vigiar a saúde articular (costas e cotovelos), o estado das orelhas por seu pêlo abundante e manter atualizadas vacinas, desparasitação e revisões veterinárias. Trabalhar com criadores responsáveis que controlem a população e evitam a consanguinidade é fundamental numa raça tão minoritária.

Aspecto físico

O Barbado da Terceira é um cão médio, sólido e bem musculoso, com uma imagem rústica e harmoniosa. O corpo é ligeiramente mais longo do que alto, o que lhe dá uma aparência compacta e atlética. Os machos medem entre 52 e 58 cm na cruz e as fêmeas entre 48 e 54 cm, com uma média próxima de 55 cm; o peso ronda os 25-30 kg nos machos e os 21-26 kg nas fêmeas.

Sua característica mais distintiva é o pelagem: Longo, abundante e ondulado, com pêlos densos. O cabelo é especialmente espesso na cabeça e, sobretudo, sob a mandíbula, onde forma a barba característica que dá nome à raça (“barbado”). Quanto à cor, admite uma ampla paleta: amarelo, cinzento, preto, leão-vermelho e lobo-vermelho, de cores claras, comuns ou escuras, com ou sem manchas brancas no peito, no ventre, nas patas ou na ponta da cauda. O conjunto transmite a imagem de um cão de campo, equilibrado, ágil e preparado para o trabalho.

Origem e história

A história da Barbados da Terceira é inseparável da ilha da Terceira, nos Açores. A raça descende dos cães que os colonos e visitantes trouxeram para o arquipélago desde o início de seu povoamento, no século XV, especialmente daqueles com aptidão para o manejo do gado. No isolamento da ilha, esses cães foram se moldando até dar origem a um boiero ágil e resistente, capaz de conduzir e reunir gado – incluindo gado selvagem – e também de servir de guardião.

Durante séculos foi um cão funcional, conhecido localmente mas sem reconhecimento formal. A situação mudou a partir da década de 1990, quando foram realizados vários estudos sobre a população – com a colaboração do Clube Português de Canicultura, da Direcção Regional de Agricultura de Terceira e da Universidade dos Açores – que culminaram na sua formalização como raça. Em novembro de 2004 foi oficialmente reconhecido pelo Clube Português de Canicultura e pela Direcção-Geral de Veterinária de Portugal, tornando-se a décima raça canina pura portuguesa reconhecida pelo CPC.

Um censo de 2005 contou com 222 exemplares, e naquele mesmo mês de janeiro foi realizada na Terceira uma exposição monográfica com 73 participantes.

Curiosidades

  • Seu nome significa literalmente “barbudo de Terceira”: a barba sob a mandíbula é seu selo de identidade.
  • É uma das raças caninas portuguesas mais recentes a obter reconhecimento oficial: a décima reconhecida pelo Clube Português de Canicultura.
  • Ele foi criado para manejar até gado selvagem, as vacas semi-selvagens da ilha, o que diz muito sobre sua coragem e agilidade.
  • Com apenas algumas centenas de exemplares censados no seu início, é uma raça genuinamente rara e um tesouro do património açoriano.
  • Apesar do seu passado de trabalho duro, hoje destaca-se como cão de companhia pelo seu caráter doce e familiar.

Se você é atraído pelo perfil do Barbado da Terceira – um cão pastor médio, inteligente e muito ligado à sua família -, talvez também esteja interessado em outras raças de pastoreio com as quais compartilha energia e habilidades. Border Collie Pastor Australiano Pastor Alemán Collie

Perguntas frequentes sobre Barbados da Terceira

O Barbado da Terceira é um cão oficialmente reconhecido?

Sim, mas de forma regional. O Clube Português de Canicultura o reconheceu como raça em novembro de 2004 e a Direcção-Geral de Veterinária de Portugal também o admitiu naquele ano.

Quanto mede e pesa um Barbado da Terceira?

É um cão de tamanho médio. Os machos medem entre 52 e 58 cm na cruz e as fêmeas entre 48 e 54 cm, com uma média de cerca de 55 cm. O peso ronda os 25-30 kg nos machos e os 21-26 kg nas fêmeas.

De que cores pode ser o seu pêlo?

O manto é longo, abundante e ondulado, com subpelo denso. As cores admissíveis são amarelo, cinza, preto, leonado (fulvo) e lobo, em tons claros, comuns ou escuros. Pode apresentar ou não manchas brancas no peito, ventre, patas ou ponta da cauda.

É um bom cão de família?

Sim. Embora nascido como cão de trabalho, seu caráter afável, alegre e muito apegado ao seu dono tornou-o um excelente companheiro. É sociável e carinhoso em casa, mas precisa de exercício diário e ocupação mental para estar equilibrado.

Precisa de muito exercício?

Ele vem de um cão de caça-palavra acostumado a conduzir gado por horas, até mesmo bovinos selvagens. Ele precisa de pelo menos um ou dois longos passeios por dia mais jogo, trabalho de olfato ou esportes caninos. Um Barbados entediado tende a procurar tarefas por conta própria.

É fácil educar?

Sim. É um cão inteligente e voluntário que adora colaborar, e o próprio Clube Português de Canicultura destaca o seu “ensino fácil” (aprendizagem simples). Responde muito bem ao reforço positivo. É conveniente socializá-lo cedo e dar-lhe regras claras, porque a sua iniciativa pode tornar-se teimosia se não for guiado.

Quanto cuidado precisa o seu cabelo?

Uma escovação completa duas ou três vezes por semana é suficiente para manter o manto saudável e evitar nós, especialmente na barba, nas orelhas e nas costas.

É uma raça rara?

Sim, é muito raro mesmo em Portugal. Um censo de 2005 contabilizou apenas 222 exemplares e hoje a população continua reduzida, concentrada na ilha de Terceira e no continente português, com um pequeno núcleo nos Estados Unidos. Fora de lá é muito difícil de encontrar.

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