O Sabueso Tirolés(Tiroler Bracke) é um cão de rasto nascido nas montanhas do Tirol, criado durante mais de um século para seguir a pista da caça ferida pela neve, floresta e terreno acentuado. Inteligente, incansável e independente, é um cão de trabalho de corpo e alma que em casa se transforma em um companheiro carinhoso e calmo. Se procuras uma raça rústica, saudável e com um olfato excepcional, e podes dar-lhe o exercício que ela exige, o Cão Tirolês tem muito a oferecer.
É o Cão Tirolês para ti?

O Cão Tirolês é um cão maravilhoso, mas muito especializado. Não é uma raça pensada para o sofá, mas um cão de montanha criado para trabalhar. Antes de se apaixonar por seu olhar doce e suas orelhas caídas, é melhor ser honesto sobre o que ele precisa e o que oferece. Este resumo ajuda você a decidir de uma olhada se você se encaixa.
Pontos a favor
- Um olfato extraordinário e uma enorme capacidade de rastreamento.
- Rústico, robusto e saudável, com boa expectativa de vida (12-14 anos).
- Inteligente e muito trabalhador, resistente ao frio e ao calor.
- Afetuoso e calmo em casa quando se exercitou.
- Excelente cão de alerta: barulho potente e bom alerta.
- Pelúcia de duas camadas que requer pouca manutenção.
Pontos contra
- Precisa de muito exercício: não é apto para uma vida sedentária.
- Independente e teimoso; a chamada custa com um rasto perto.
- Forte instinto de caça: cuidado com animais pequenos.
- Vocal: tende a dar voz e a ladrar.
- Mal se encaixa num apartamento ou numa cidade sem campo perto.
- Raça rara e de número reduzido; difícil de encontrar.
Caráter e temperamento
O caráter do Cão Tirolês é o de um cão de trabalho clássico: ativo, apaixonado e de espírito livre. É um cão notavelmente inteligente e, precisamente por isso, muito independente. Foi criado para seguir um rasto sozinho durante horas e a uma grande distância do seu guia, e essa autonomia faz parte da sua essência. Pode mostrar-se teimoso quando algo lhe interessa – geralmente um cheiro – , mas não é um cão difícil ou conflituoso: Ele simplesmente tem a sua própria opinião.
Fora do trabalho, é surpreendente pelo seu equilíbrio. Alerta e vivaz ao tocar, é capaz de “desligar-se” e desfrutar da tranquilidade do lar, tornando-o um companheiro doméstico muito agradável quando sua necessidade de exercício for satisfeita. É afetuoso com a sua família e costuma mostrar-se reservado com os estranhos, sem chegar à agressividade. Essa mistura de doçura em casa e tenacidade no campo é o que apaixona aqueles que realmente o conhecem.
Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão

Como qualquer cão ativo e de bom tamanho, convém supervisionar o jogo com os mais pequenos e ensiná-los a tratá-lo bem.
Com outros animais de estimação: com outros cães a convivência costuma ser boa, já que está acostumado a trabalhar em companhia. O problema são os animais pequenos: seu instinto de cão-cão o empurra a perseguir qualquer rasto, por isso com gatos, coelhos ou aves será necessária socialização precoce e prudência.
No piso: não é o seu lugar. É um cão de campo e de montanha que precisa de espaço e estímulo. Pode viver no chão apenas se você se comprometer a dar horas diárias de exercício real, mas uma casa com jardim ou acesso ao campo aberto é natural para ele.
Soledad: tolera ratos apenas se estiver bem cansado e com enriquecimento, mas é um cão apegado à sua família.
Educação e formação
Treinar um Cachorro Tirolês é um exercício de paciência e cumplicidade. A sua inteligência faz com que aprenda depressa, mas a sua independência e a veia teimosa dos cães de caça implicam que ele não obedecerá “porque sim”. Precisa de compreender o que ganha, e aí o reforço positivo – prêmios, jogo, voz alegre – funciona infinitamente melhor do que qualquer método coercitivo, que só o faz fechar a banda.
A socialização precoce é fundamental: Quanto mais cedo conhecer pessoas, ambientes, ruídos e outros animais, mais equilibrado será quando adulto. O grande cavalo de batalha é o chamada: Quando um rasto interessante entra no seu nariz, o mundo desaparece para ele. É por isso que é conveniente reforçar o “aqui” desde o filhote, trabalhar com longas de segurança e não confiar na soltura total em zonas sem controlo até ter uma resposta muito sólida. As sessões curtas, variadas e motivadoras, com muito trabalho de olfato, dão-lhe o melhor.
Exercício e atividade
Aqui não há atalhos. O Cão Tirolês é um atleta de resistência. Foi selecionado para mover-se durante horas em terreno duro, frio ou quente, seguindo um rasto sem falhar, e essa maquinaria precisa de ser desgastada diariamente. Um mínimo de uma a duas horas de exercício intenso é a base, e agradece muito mais: trilhas de montanha, longas caminhadas, rastreamento de trilhas e jogos de nariz que combinam corpo e mente.
O exercício puramente físico não é suficiente; sua cabeça também requer trabalho. O rastreamento, a procura de comida escondida e qualquer atividade que aproveite o seu olfato realmente o enche e impede o tédio. Um sabujo tirolês bem exercitado é um cão calmo e feliz em casa; um que se entediar procurará seu próprio entretenimento, quase sempre com base em latidos, escapadas após um cheiro ou pequenas travessuras.
Cuidados: pelagem e higiene
Uma das grandes vantagens desta raça é o pouco exigente que resulta a sua manutenção. O Cão Tirolês usa um manto duplo com uma camada interna densa e áspera que o protege do clima da montanha. Com uma escovação semanal é suficiente para mantê-lo em forma a maior parte do ano, intensificando-o durante as mudas sazonais, quando solta mais cabelo.
O ponto de foco serão os orelhas: Por serem caídas e largas, retêm umidade e sujeira e favorecem a otite, por isso é conveniente verificá-las e limpá-las regularmente, especialmente após saídas para o campo ou banhos. Complementa a rotina com o corte das unhas quando necessário, uma boa higiene dental e uma revisão de almofadas e pele após os dias de monte, onde pode recolher espigas, carrapatos ou pequenas feridas.
Alimentação
Como um cão de trabalho ativo, o Cão Tirolês precisa de uma dieta de qualidade e bem ajustada ao seu gasto energético, que pode ser muito alta em épocas de caça ou de atividade intensa e menor em épocas de descanso.
Uma alimentação completa e equilibrada ou uma dieta bem formulada, dividida em duas doses diárias, é o habitual. Em cães de peito profundo, é conveniente evitar o exercício intenso logo antes e depois de comer como medida de prudência frente a problemas digestivos. Em caso de dúvidas sobre as quantidades, o tipo de alimento ou os suplementos, é melhor consultar o veterinário, que ajustará a pauta a cada espécime em particular.
Saúde e esperança de vida

O Cão de Cão Tirolês é, em geral, um cão rústico, robusto e saudável, com um esperança de vida de 12 a 14 anos. Sua seleção funcional ao longo de mais de um século tem primado resistência e aptidão para o trabalho, o que se traduz em uma raça sem as grandes fragilidades de outros cães mais artificiais.
Dito isto, há pontos a vigiar. A displasia da anca é uma das condições a ter em conta, como em muitas raças de tamanho médio-grande e ativas. Os otite são o outro clássico, favorecidos pelas suas orelhas caídas. E há um fator próprio das raças de censo reduzido: Um estudo genético alemão que comparou o Mountain Hound da Baviera, o Hound de Hanover e o Hound Tirolês descobriu que o último apresentava o maior nível de consanguinidade dos três, com um tamanho de população efetivo baixo. É por isso que é tão importante recorrer a criadores responsáveis que cuidem da diversidade genética e realizam os testes de saúde pertinentes.
Aspecto físico
O Cão de Caça Tirolês é um cão tamanho médio, de silhueta harmônica e aparência claramente funcional, nem pesado nem leve. Os machos medem aproximadamente entre 44 e 50 cm na cruz e as fêmeas um pouco menos, com um peso que geralmente ronda os 15 a 22 kg dependendo do sexo e do exemplar. O corpo é compacto e retangular, musculoso, com um peito profundo e moderadamente largo e uma grupa que desce suavemente. A cauda, de inserção alta e em forma de espada, é erguida quando o cão está excitado.
A cabeça é bastante larga, com um leve arco central e um focinho reto e profundo que termina em uma trufa preferencialmente preta. Os olhos são grandes, redondos e de cor castanha escura, com uma expressão alerta e amável. As orelhas, largas, planas e com pontas redondas, são inseridas altas e chegam quase ao focinho quando esticadas para a frente. O manto é duplo, com uma camada interna áspera, e apresenta as camadas de cores clássicas da raça: vermelho, ou negro e fogo, ambas variedades muitas vezes com manchas brancas, tipicamente uma estrela ou lista no peito.
Origem e história
O Cão Tirolense tem suas raízes no Tirol, a região alpina hoje dividida entre a Áustria e a Itália, e é descendente dos antigos cães celtas. Já no século XVI, diz-se que o imperador Maximiliano I usava esses cães tirolenses para caçar lebre e raposa e para rastrear a caça ferida pela montanha, o que dá uma idéia da antiguidade e da raiz do tipo na área.
A criação seletiva e sistemática começou em direção ao 1860, com o objetivo de fixar um cão de caça perfeitamente adaptado à caça na neve e no terreno abrupto alpino. Em 1896 foi publicado o primeiro padrão da raça e, pouco depois, em 1908, o Cão Tirolês foi reconhecido como raça própria. Já em tempos mais recentes, em 2006, obteve o reconhecimento do United Kennel Club. É enquadrado pela FCI dentro do Grupo 6(cães tipo sabueso, cães de rastreamento e raças semelhantes), fiel à sua função original que permaneceu quase intacta até hoje.
Curiosidades
- É também conhecido como Tiroler Bracke ou Tyroler Bracke, e em francês como Brachet Tyrolien.
- A tradição atribui seu uso ao imperador Maximiliano I já no século XVI, o que o liga à caça cortesana da Europa Central.
- É capaz de trabalhar sozinho e seguir o rasto de uma peça ferida por quilómetros, mesmo em condições climáticas extremas.
- A sua falta de agressividade impede-o de ser um bom cão de guarda, mas o seu barulho potente faz dele um magnífico cão de aviso.
- É normal que lhe falte algum pré-molar e que tenha os dentes ligeiramente espaçados; o padrão contempla isso sem penalizá-lo.
- Sendo uma raça de população reduzida e muito ligada aos caçadores do Tirol, ainda é quase desconhecida fora da sua região de origem.
Se você é atraído pelo mundo dos cães de caça e de rastreamento, talvez queira comparar o Cachorro Tirol com outras raças de olfato e de trabalho. Veja o Beagle, outro cão de caça com um nariz prodigioso e um caráter alegre; o imponente Bloodhound, o rastreador por excelência; o versátil Basset Hound, cão de caça com patas curtas e olfato tenaz; ou o enérgico Vizsla, outro companheiro de caça que precisa de muita atividade.
Perguntas frequentes sobre o Cão-Tirolês
É um bom cão de família?
Sim, se a família é ativa e lhe dá trabalho. Fora da caça é carinhoso, tranquilo em casa e muito apegado aos seus, com essa capacidade de “desligar” depois de um bom dia de exercício. Não é um cão para viver fechado nem para pessoas sedentárias: precisa de natureza, olfato e longas saídas. Com essas condições cobertas, é um companheiro equilibrado e grato.
Pode viver num apartamento?
É um cão de montanha criado para cobrir grandes distâncias em terreno acidentado, e um piso fica muito curto para ele. Ele pode se adaptar se for compensado com várias horas diárias de exercício sério ao ar livre, mas uma casa com jardim ou acesso constante ao campo aberto se encaixa muito melhor com sua natureza.
Barbeia muito?
É vocal, sim. Como um bom cão dá voz quando segue um rasto e avisa com um barulho potente diante de qualquer novidade, o que o torna um excelente cão de aviso. Não é agressivo, mas convém trabalhar desde filhote a gestão do barulho para que não se torne excessivo, especialmente se houver vizinhos perto.
Você se dá bem com outros cães e animais de estimação?
Com outros cães costuma conviver bem, pois na caça muitas vezes trabalha acompanhado. O ponto delicado são os animais pequenos: seu instinto de cão de caça muito forte o impulsiona a seguir e perseguir qualquer rasto, por isso com gatos, coelhos ou aves convém a socialização precoce e supervisão, sem dar por certo uma convivência relaxada.
É fácil de treinar?
Ele é muito inteligente e aprende rápido, mas também independente e um pouco teimoso, uma característica típica dos cães criados para trabalhar sozinhos seguindo um rasto. Ele responde muito bem ao reforço positivo e a sessões curtas e motivadoras; métodos duros só o fazem fechar.
Quanto exercício precisa por dia?
Muito. Falamos de um mínimo de uma a duas horas diárias de atividade intensa, e agradece muito mais: trilhas de montanha, rastreamento de trilhas, jogos de olfato e trabalho mental. É um cão construído para esforço prolongado em qualquer clima, e sem esse relaxamento tende a ficar entediado e a procurar entretenimento por conta própria.
Qual é a sua expectativa de vida e está saudável?
É uma raça rústica e robusta, que geralmente vive entre 12 e 14 anos. Os pontos a vigiar são a displasia da anca e as otites, favorecidas por suas orelhas caídas. Além disso, sendo uma raça de censo reduzido, apresenta uma consanguinidade relativamente alta, por isso é fundamental ir a criadores sérios que cuidam da diversidade genética.
É uma raça rara?
O Sabueso Tirolês está muito ligado aos caçadores do Tirol (Áustria) e zonas alpinas, e fora desse ambiente é difícil de ver.