O Vallhund Sueco é uma das raças mais antigas e singulares da Escandinávia: um pequeno spitz de corpo longo e pernas curtas que há mais de mil anos pastora vacas nas fazendas suecas. Apelidado de “cão dos vikings”, ele combina a silhueta inconfundível de um corgi com o caráter alerta, resistente e trabalhador de um verdadeiro cão de trabalho nórdico. Se procuras um companheiro pequeno, mas com muita personalidade, muito esperto e surpreendentemente atlético, o Vallhund sueco merece toda a tua atenção.
É o Vallhund sueco para ti?
Antes de se apaixonar pela cara de lobo em miniatura, é melhor ser honesto: O Vallhund sueco é um cão de pastoreio dentro de um corpo pequeno, e isso condiciona tudo. É ideal para pessoas ativas que querem um cão com quem fazer coisas – treinamento, esportes caninos, longas caminhadas – e que valorizam a inteligência e o vínculo. Não é a melhor opção para quem procura um cão calmo, silencioso e de baixa manutenção mental.
A favor.
- Dimensão manejável com carácter de cão grande.
- Muito inteligente e ansioso para aprender.
- Era longo e, em geral, robusto e saudável.
- Leal, carinhoso e muito apegado à sua família.
- Excelente para esportes caninos e atividades ao ar livre.
- Adapta-se bem ao frio graças ao seu duplo manto.
A ter em conta
- Barbeador: vigilante e muito vocal por natureza.
- Instinto de morder calcanhares (herança de pastoreio).
- Precisa de estímulo mental diário ou fica entediado e “faz confusão”.
- Larga o cabelo, com mudas intensas duas vezes por ano.
- Pode ser reservado com os estranhos se não socializar.
- Raro em muitos países: conseguir um filhote pode ser caro.
Caráter e temperamento
O Vallhund sueco é, acima de tudo, um cão desperto. Por trás desses olhos ovalados de cor marrom escura há uma mente que não pára: observa, calcula e procura constantemente algo para fazer. É a raça típica que aprende um truque em quatro repetições… e também aprende sozinha a abrir uma porta se lhe der tempo e tédio. Essa vivacidade é sua maior virtude e, mal gerenciada, seu maior problema.
Com a sua família, ele é afetuoso, fiel e muito carinhoso. Ela adora a atenção humana e quer estar onde você está, participando da vida da casa. Com os estranhos tende a ser mais reservado e cauteloso; não costuma ser agressivo, mas é desconfiado até decidir que a pessoa é confiável. É por isso que a socialização precoce é tão importante: Um Vallhund sueco bem socializado é equilibrado e sociável; um que cresceu isolado pode tornar-se sobreprotector e muito latente.
É também um cão corajoso e de caráter, consciente do seu papel de vigia, que avisará de qualquer novidade com latidos, e essa alerta constante faz dele um excelente vigia para o seu tamanho, embora seja conveniente ensiná-lo cedo quando se cala.
Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão
Com crianças: é um bom cão de família e gosta dos mais pequenos. A única nuance vem de seu instinto de pastoreio: ele pode tentar “conduzir” as crianças que correm, dando-lhes pequenas mordidas nos calcanhares. Não é maldade, é literalmente sua função de fábrica – era um cão que arrastava vacas mordendo as patas -, mas convém supervisionar o jogo e redirecionar esse comportamento desde um filhote.
O Com outros animais de estimação: bem socializado convive sem problemas com outros cães. Com gatos e animais pequenos é preciso ter em mente que foi criado também para caçar predadores como ratos, por isso o instinto de perseguição existe; uma introdução gradual e uma boa socialização fazem a diferença.
No piso: seu pequeno tamanho o torna adequado para viver em apartamento, desde que seja dado o exercício e o estímulo que ele precisa.
Soledad: é um cão muito apegado que não gosta de passar longas horas sozinho. A solidão crônica, juntamente com sua necessidade de atividade, é a receita perfeita para latidos, destruição e ansiedade. Ele se encaixa melhor em lares onde não passa o dia inteiro sem companhia.
Educação e formação
Treinar um Vallhund sueco é um prazer, se o fizeres bem. Ele é tão inteligente e está tão disposto a trabalhar que aprende facilmente, mas essa mesma inteligência significa que ele se aborrece com a repetição e detecta instantaneamente a incoerência. Precisa de sessões curtas, variadas e motivadoras, sempre positivas: O reforço com prêmios, jogo e voz funciona muito melhor do que a mão dura, que só o faz fechar.
Duas prioridades desde o filhote: o socialização(pessoas, cães, ruídos, ambientes) para prevenir a desconfiança excessiva, e o controle de barulho e mordida de calcanhares, seus dois “vícios” de raça. Ensina-lo uma ordem de silêncio e redirecionar o instinto de pastoreio para jogos apropriados evita problemas futuros.
Exercício e atividade

Não se deixe enganar por suas patas curtas: o Vallhund sueco é um atleta. Precisa de exercício diário de verdade, não de um passeio simbólico. Um par de saídas ativas por dia, combinadas com jogo e, acima de tudo, com estímulo mental, é o mínimo para ter um cão feliz e tranquilo em casa.
Onde ele realmente brilha é nos desportos caninos. A raça destaca-se nas agilidade, obediência, rally, flyball, rastreamento e, como não podia ser de outra forma, nas testes de pastoreio, onde reaparece seu instinto milenar. É também um excelente companheiro de caminhada. Para um cão com este cérebro, o exercício físico sem desafios mentais é insuficiente. O que o cansa e o equilibra é a combinação de corpo e mente.
Cuidados: pelagem e higiene
A manutenção do manto é simples, o que é apreciado. O Vallhund sueco tem um cabelo curto e áspero com uma camada externa apertada e um subcouro suave e denso – um manto duplo de spitz clássico – . Não precisa de cabeleireiro, cortes ou arranjos especiais: basta com um escovagem regular, semanal na rotina normal e mais frequente durante as duas grandes mudas sazonais, quando solta cabelo em quantidade.
O resto dos cuidados são os de qualquer cão saudável: revisão e limpeza das orelhas (aqui com vantagem, porque tendo as orelhas erguidas são bem ventiladas e sofrem muito menos problemas do que as raças de orelhas caídas), corte de unhas quando necessário, higiene dental regular e banhos apenas quando estiver realmente sujo, para não estragar a proteção natural do seu manto.
Alimentação
Sendo um cão pequeno e ativo, o Vallhund sueco precisa de uma alimentação completa e de qualidade, adequada ao seu tamanho, idade e nível de atividade. O código para esta raça é controlar o peso: O seu corpo alongado torna o excesso de peso especialmente prejudicial, pois sobrecarrega a coluna e as articulações. Um Vallhund sueco com quilos a mais tem mais cartões para problemas de costas, por isso é bom medir as rações, moderar os prêmios e mantê-lo em forma.
Divida a comida em duas tomadas diárias, tenha sempre água fresca disponível – importante especialmente se vive num clima quente – e ajuste as quantidades de acordo com o seu gasto real de energia.
Saúde e esperança de vida
O Vallhund sueco é, em geral, um cão saudável e muito longevo, com uma expectativa de vida média em torno de 15 anos. O seu tamanho reduzido favorece a sua longevidade, e as suas orelhas erguidas tornam raras as infecções do ouvido, tão comuns noutras raças. Além disso, seu manto duplo permite que ele tolere bem o calor – sempre com sombra e água à mão – embora seu corpo baixo o faça sofrer em neve muito profunda.
A principal preocupação de saúde documentada da raça é uma forma hereditária de retina progressiva atrofiada (PRA), presente em uma parte significativa da população e que se manifesta como cegueira noturna de leve a moderada, tipicamente por volta dos dez anos de idade. É por isso que é tão importante procurar criadores sérios que façam testes oculares aos reprodutores. Como em todos os cães de corpo longo, convém também cuidar das costas evitando o sobrepeso e os saltos excessivos.
Aspecto físico
O Vallhund sueco é um cão pequeno, forte e de corpo notavelmente longo, com uma proporção altura-longoura de aproximadamente 2:3 que lhe dá essa silhueta baixa e inconfundível. Os machos medem cerca de 33 cm à cruz e as fêmeas cerca de 31 cm.
Uma particularidade muito sua é a cauda: nasce com todos os comprimentos possíveis, desde a cauda completa até a ausência total, por isso às vezes se acredita erroneamente que foi amputada (algo, aliás, ilegal na Suécia).
O manto é curto e áspero, com camada externa apertada e subcouro denso. As cores variam de cinza a cinza pardo, cinza amarelado e castanho-avermelhado, sempre com pelo mais escuro nas costas, pescoço e lados, e tons mais claros no focinho, garganta, peito, ventre e extremidades. O sinal de identificação são os marcas de arnês: áreas mais claras sobre os ombros que lembram um arnês. Podem aparecer algumas manchas brancas discretas, com um máximo de 30% de branco.
Origem e história
Trata-se de uma raça verdadeiramente antigo, o cão nacional da Suécia, com origens que podem remontar ao século VIII ou IX. Nasceu na província de Västergötland, ao sul do lago Vänern, onde este pequeno cão provou ser excelente para vigiar, guardar e rebanhar o gado. Seu nome sueco, vallhund, significa literalmente “cão de pastoreio”, e também é conhecido como Västgötaspets, pela província de seu renascimento.
A sua história está entrelaçada com a dos vikings. Acredita-se que durante a época viking estes cães viajaram entre a Suécia e as Ilhas Britânicas, e que desempenharam um papel no desenvolvimento do moderno Welsh Corgi e do Lancashire Heeler – daí o “aire familiar” com o Corgi. Uma teoria, recolhida pelo American Kennel Club, sustenta que nos séculos VIII ou IX “ou o Vallhund sueco foi levado para o País de Gales, ou o Corgi foi levado para a Suécia”, o que explicaria a semelhança entre as duas raças. A raça é parente dos spitz de maior tamanho e dos cães de caça de alce escandinavos.
Em 1942 quase se extinguiu. Salvou-a o trabalho do conde e artista Björn von Rosen junto com Karl-Gustaf Zettersten, que localizaram os poucos exemplares que restavam e iniciaram um programa de criação cuidadoso, evitando a endogamia apesar de a partir de um punhado de cães. Em 1943, o Kennel Club sueco reconheceu oficialmente a raça. Embora ainda seja relativamente rara no mundo, hoje é criada em mais de dez países e foi admitida pela AKC em 2007.
Curiosidades
- O cão viking. O seu apelido não é marketing: acompanhou os povos nórdicos há mais de mil anos e o seu rastro remonta aos assentamentos vikings da Inglaterra.
- Quase desapareceu. Em 1942 está quase extinta; hoje existe graças à tenacidade de duas pessoas que reconstruíram a raça a partir de apenas alguns exemplares.
- Cola de surpresa. Cada camada é uma loteria de rabos: há longos, curtos e sem cauda, tudo de forma natural.
- Estrela de estreia. Em 2008, o Vallhund sueco competiu pela primeira vez no prestigiado Westminster Kennel Club Dog Show.
- Marcas de arnês. Esse padrão de cabelo mais claro sobre os ombros, tão característico, é precisamente chamado de “marcas de arnês”.
- Cão de campeonatos de pastoreio. na Suécia ainda compete com gado em provas oficiais chamadas Vallhundsprov.
Se você é atraído pelo Swedish Vallhund por sua mistura de inteligência, energia e tamanho manejável, talvez queira conhecer outras raças com um perfil semelhante. Dê uma olhada no Pembroke Welsh Corgi, seu parente de silhueta quase idêntica; no incansável Border Collie, outro gênio do pastoreio; no versátil Pastor Australiano; ou no elegante Pastor de Shetland, pequeno pastor de mente brilhante.
Perguntas frequentes sobre o Vallhund sueco
O Vallhund sueco é um cão difícil de ter?
Não é difícil, mas é exigente num sentido concreto: Ele precisa de fazer coisas. É um cão de pastoreio com uma mente muito alerta, por isso, se lhe der trabalho mental, exercício diário e regras claras, ele se torna um companheiro equilibrado, carinhoso e fácil de conviver. O problema surge quando é tratado como um cão decorativo: É quando ele ladra, morde os calcanhares e procura sarilhos por puro tédio.
Quanto tempo vive um Vallhund sueco?
É uma raça robusta e longeva; com boa alimentação, exercício e revisões veterinárias, muitos exemplares superam facilmente a dúzia de anos em plena forma.
Porque é que alguns Vallhund suecos não têm rabo?
É natural. A raça nasce com uma enorme variedade de comprimentos de cauda, desde a cauda completa até a ausência total (cauda “bob”), passando por todos os pontos intermediários. É por isso que às vezes se pensa erroneamente que são amputados. Na Suécia, de fato, cortar a cauda é ilegal: o que se vê é pura genética.
O Vallhund sueco é o mesmo que um Corgi?
São primos, não são gémeos. Eles compartilham silhueta (corpo longo, patas curtas) e provavelmente parte de sua história foi cruzada durante a época viking, quando esses cães viajaram entre a Suécia e as ilhas britânicas. Mas o Vallhund é um spitz nórdico, com cabeça em cunha, manto tipo lobo e marcas de arnês, enquanto o Corgi pertence a outra tradição pecuária. Parecem, mas não são da mesma raça.
O Vallhund sueco ladra muito?
Pode fazê-lo. É um cão alerta, vigilante e muito vocal por natureza, herança do seu passado como guarda de fazenda. Não é um ladrar nervoso sem sentido, mas um aviso: avisa de visitantes, ruídos e novidades. Com a socialização precoce e ensinando-lhe uma ordem de silêncio é bem controlado, mas se você está procurando um cão 100% silencioso, esta não é a sua raça.
Você se dá bem com crianças e outros cães?
Sim, é um cão familiar e sociável. Gosta de crianças e geralmente se integra bem com outros cães se for socializado desde filhote. A única nuance é seu instinto de pastoreio: pode tentar “conduzir” crianças pequenas mordendo suavemente os calcanhares. Não é agressividade, é seu trabalho de fábrica; é corrigido com educação e supervisão.
Quanto exercício precisa por dia?
Com um ou dois bons passeios diários mais algum tempo de jogos ou treino mental, ele cobre o básico, mas é um atleta disfarçado: gosta de agilidade, pastoreio, rali e caminhadas longas.
O Vallhund sueco perde muito cabelo?
Ele solta o cabelo de forma moderada durante quase todo o ano e de forma intensa nas duas mudanças de estação, porque tem manto duplo. Não requer cabeleireiro ou cortes, apenas escovação regular (mais frequente na época de muda).