O Whippet é uma lebre inglesa de tamanho médio que parece um Greyhound em miniatura: Elegante, aerodinâmico e de uma doçura desarmante. Em casa é o cão mais calmo do mundo, capaz de dormir o dia inteiro em um ninho; no campo transforma-se numa seta que corre a 55 km/h. Se procuras um companheiro quieto, limpo e carinhoso que também te deixe sem fôlego quando corre, o Whippet tem muitas cartas.
É o Whippet para ti?

Antes de se apaixonar por essa silhueta de galo em pequeno, é melhor ser honesto sobre o que esta raça pede e dá. O Whippet é um cão de contrastes: Doce e sonolento portas dentro, intenso e rápido portas fora. Ele se encaixa maravilhosamente com quem valoriza a tranquilidade doméstica, mas pode oferecer corridas seguras; se encaixa pior com quem quer um cão de guarda ou um companheiro de maratonas de resistência.
A favor.
- Tranquilo, limpo e silencioso em casa; ideal para piso.
- Muito carinhoso e apegado à sua família.
- Pelo muito curto: quase não solta cabelo nem cheira.
- Raça saudável e longeva, com poucos problemas hereditários.
- Bom com crianças e outros cães.
- Não lates demais.
A ter em conta
- Alto instinto de presa: cuidado com gatos e animais pequenos.
- Precisa de correr diariamente numa zona fechada e segura.
- Passa frio: requer abrigo no inverno e cama quente.
- Pode sofrer ansiedade de separação se for deixado muito tempo sozinho.
- Físico delicado: pele fina propensa a cortes e arranhões.
- Não serve de cão de guarda.
Caráter e temperamento
Quem vive com um Whippet costuma descrevê-lo com a mesma palavra: Balanço. É um cão sereno, reservado e de modos suaves, que no salão se comporta com uma dignidade quase felina e agradece tanto o contato físico que procurará seu colo ou se esconderá debaixo do cobertor sem que você o convide. O American Kennel Club o define como “tranquilo e digno no salão do seu dono”, acrescentando que é um excelente cão de interior. Essa calma, porém, não é apatia.
Assim que pisam num espaço aberto, o Whippet mostra o outro lado: A da lebre. Em seguida, surgem explosões de corrida de uma potência surpreendente, curvas impossíveis e uma alegria puramente atlética, antes de retornar ao seu estado natural de descanso. É um cão de picos: intensidade máxima em rajadas curtas, seguidas de longas sonecas. Por baixo de toda essa elegância, há também um instinto de caça muito vivo, herdado de gerações criadas para perseguir lebres e coelhos à vista. É sensível, um pouco tímido com os estranhos e profundamente fiel; raramente se mostra dominante ou conflituoso.
Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão

O Whippet é um dos lebres que melhor se adapta à vida familiar.
- O Com crianças: é paciente, doce e tolerante, uma ótima escolha para famílias com crianças. É conveniente ensinar os mais pequenos a respeitar a sua delicada constituição e a supervisionar os jogos bruscos, porque a sua pele fina é facilmente ferida.
- Com outros cães: social e pouco conflitivo, geralmente se dá bem com seus congêneres, especialmente se ele foi socializado como um filhote.
- Com gatos e pequenos animais: aqui está a nuance importante. Seu forte instinto de presa pode fazê-lo perseguir gatos, coelhos ou esquilos. Muitos Whippets convivem sem problemas com o gato doméstico se crescerem juntos, mas fora de casa qualquer animal que corre pode ativar a perseguição.
- No piso: perfeito. É silencioso, tranquilo e de tamanho manuseável; desde que tenha a sua dose diária de corrida, não precisa de jardim.
- Diante da solidão: é o seu calcanhar de Aquiles. O Whippet é muito apegado à sua família e pode desenvolver ansiedade de separação se passar horas demais sozinho. Não é a raça ideal para quem está fora de casa o dia todo.
Educação e formação
O Whippet é inteligente e aprende rápido, mas não é o típico cão obediente que vive para agradar: tem a independência própria das lebres. Ele responde extraordinariamente bem ao reforço positivo – prêmios, brincadeira, voz amável – e fecha-se diante dos métodos duros, que só conseguem assustar um cão tão sensível. A socialização precoce, expondo o filhote a pessoas, ruídos, cães e ambientes diferentes, é a chave para que a sua timidez natural não leve ao medo.
O grande desafio do treino é a chamada. Quando um Whippet fixa uma presa à vista, seu instinto pode mais do que a sua voz: ele dispara e, nessa velocidade, não atende a razões. É por isso que a recomendação de segurança é quase universal entre os especialistas da raça: trabalhe a chamada consciente, mas solte-o sem correia apenas em espaços cercados ou realmente seguros, longe das estradas.
Exercício e atividade

Aqui é bom desvendar um mal-entendido: o facto de o Whippet ser tão calmo em casa não significa que ele não precise de exercício. Ele precisa, mas de um tipo específico. Não é um cão de resistência que aguenta horas a correr; é um velocista. O que realmente o enche é ser capaz de correr fundo, liberar essas explosões de galope que tem nos genes, e depois descansar.
Na prática, basta-lhe cerca de 45 a 60 minutos diários bem aproveitados: Passeios combinados com corridas livres numa zona segura e fechada. Ela gosta muito de esportes como o lure coursing(perseguição de uma isca), corridas, agilidade ou flyball, atividades nas quais a raça brilha por sua velocidade e agilidade. Um Whippet que pode correr diariamente é um cão feliz e equilibrado; um que só é passeado ao passo acumulará frustração.
Cuidados: pelagem e higiene
Se há uma raça de baixa manutenção em termos de cabelo, é esta. O manto do Whippet é curto, fino, liso e preso ao corpo, sem subcouro, de modo que a muda é mínima e quase não deixa cabelo em casa. Com uma escovação semanal com luva de borracha para remover o cabelo morto e extrair brilho é mais do que suficiente. Banhos apenas quando realmente sujo; abuso seca sua pele.
O verdadeiro cuidado do Whippet não está no cabelo, mas em protegê-lo. Sua pele é muito fina e corta-se ou raspa-se facilmente entre arbustos, por isso é conveniente vigiar feridas após corridas pelo campo. E a sua pouca gordura corporal torna-o muito friolo: No inverno, precisa de um casaco para caminhadas e uma cama macia e quente em casa. Completam a rotina como de costume: Examinar e limpar as orelhas, cortar as unhas e manter a higiene dental.
Alimentação
O Whippet é um cão atlético, magro e com pouca gordura, e sua alimentação deve refletir isso. Precisa de uma dieta completa e de qualidade, com boa ingestão de proteínas para manter a sua musculatura, ajustada à sua idade, peso e nível de atividade. Não é uma raça propensa à obesidade, mas o equilíbrio conta: por sua magreza natural, o normal e saudável é notar as suas últimas costelas; não se deve confundir a sua figura magra com falta de peso ou tentar “enchê-lo”.
É conveniente dividir a comida em duas tomadas diárias e, como em todos os cães de peito profundo, evitar o exercício intenso logo antes e depois de comer para reduzir os riscos digestivos.
Saúde e esperança de vida
O Whippet é uma das raças mais saudáveis que existem, e não por acaso: Séculos de selecção por funcionalidade – caça, corrida e corridas – deram-lhe uma estrutura sólida e equilibrada, livre das exagerações físicas que originam tantos problemas noutras raças. É bastante seguro de doenças frequentes em outros cães, como infecções de ouvido repetidas, alergias cutâneas ou distúrbios digestivos. A displasia da anca é rara e os defeitos oculares genéticos, embora existam, são raros. Um estudo britânico de 2024 cifrava a sua expectativa de vida em torno dos 13,4 anos, acima da média dos cães de raça.
Dito isto, há peculiaridades que todo proprietário deve conhecer. A primeira é médica e muito importante: como outras lebres, o Whippet é intolerante aos anestésicos barbitúricos, devido ao seu baixo nível de gordura corporal e a um fígado que os metaboliza mal; é imprescindível que o veterinário saiba disso antes de qualquer intervenção. A segunda é o seu coração, grande e de batimento lento, que em repouso pode soar irregular ou intermitente e alarmar quem não conhece a raça, embora durante o exercício funcione com um ritmo perfeito. Em cães mais velhos, as doenças cardíacas – especialmente a doença da válvula mitral – estão entre as principais causas de mortalidade, pelo que os exames veterinários periódicos são altamente recomendados. Por fim, uma curiosidade genética: Uma mutação no gene da miostatina própria da raça faz com que os exemplares com cópia dupla desenvolvam uma musculatura desproporcionada e sejam conhecidos como “Bully Whippets”, sem que isso suponha problemas de saúde relevantes.
Aspecto físico
O Whippet é a própria definição de elegância funcional. De tamanho médio, apresenta o corpo aerodinâmico típico das lebrelas, projetado ao milímetro para a velocidade: Peito profundo que abriga pulmões generosos, barriga recolhida numa linha inferior muito marcada, lombar arqueado, pernas longas e finas e uma musculatura seca e definida. A cabeça é alongada e estilizada, com pequenas orelhas em forma de rosa e uma expressão atenta e doce.
De acordo com o padrão britânico, os machos medem entre 47 e 51 cm na cruz e as fêmeas entre 44 e 47 cm, enquanto os padrões americano e canadense admitem exemplares um pouco maiores. O peso típico é de cerca de 11 a 18 kg. O cabelo é curto, liso, fino e muito pegajoso, e quanto à cor reina a liberdade absoluta: para a FCI a cor é “inmaterial”, ou seja, não é valorizada, de modo que o Whippet aparece em praticamente qualquer tonalidade e combinação – preto, branco, leonado, amarelo, azul, creme e todas as suas misturas – . A única exceção é o padrão merle, que o Kennel Club britânico deixou de admitir em 2019 por não ser uma cor natural da raça.
Origem e história
O Whippet nasceu no norte da Inglaterra como “o galo do pobre”. No final do século XVIII e durante o século XIX, as classes trabalhadoras – mineiros e operários de regiões como Lancashire, Yorkshire, Durham e Northumberland – não podiam pagar um verdadeiro Greyhound, considerado um cão de nobreza, por isso criaram a sua própria versão: Mais pequeno, mais acessível e manejável, mas igualmente rápido em distâncias curtas. Para isso, cruzaram galgos ingleses e italianos com vários terriers – Bedlington, Manchester, Yorkshire e outros – procurando combinar a velocidade e a estatura do cão com a resistência e a coragem do terrier.
O resultado foi um cão polivalente que servia para caçar coelhos e, sobretudo, para correr. As corridas de Whippet tornaram-se um fenómeno popular: Os cães soltavam-se numa pista e corriam para os seus donos, que no outro extremo agitavam um trapo ou uma toalha para chamá-los – daí o antigo apelido da raça, “snap dog”, o cão que tira para morder – . Apelidado de “o cavalo de corrida do pobre”, o Whippet era uma verdadeira fonte de orgulho e, às vezes, de renda para muitas famílias humildes. O Kennel Club britânico reconheceu oficialmente a raça em 1891, três anos depois do American Kennel Club, em 1888, da mão de operários têxteis que levaram os primeiros exemplares para Massachusetts. Desde então, o Whippet passou das pistas de cinzas para salões e ringues de exposições, sem perder um pouco de sua essência.
Curiosidades
- O mais rápido da sua categoria. O Whippet é o cão mais rápido dentro de sua faixa de tamanho e peso, e é creditado com a aceleração de parada a corrida mais rápida de qualquer raça.
- Galope de dupla suspensão. Quando correm, suas quatro patas saem do chão duas vezes em cada passo – uma com o corpo esticado e outra com o corpo levantado – o mesmo galope que os galgos usam para voar.
- “Snap dog”. Um dos seus antigos nomes aludiu à sua tendência de “pegar com uma dentada” qualquer presa próxima, fruto do seu instinto de caça.
- Bully Whippets. Uma mutação genética própria da raça, a do gene da miostatina, produz em duplas doses exemplares hipermusculosos, sem equivalente conhecido noutros lebres.
- Estrela das exposições. Um Whippet ganhou o Best in Show do Westminster Kennel Club em 1964, e a raça levou a maior premiação do Crufts em várias edições.
- O seu nome vem da velocidade.“Whippet” deriva de um termo inglês antigo que significava “mover-se com entusiasmo”.
Se você é atraído pelo Whippet, certamente gosta de conhecer seus parentes e outros cães de caráter semelhante. Não perca seu irmão mais velho, o Greyhound, nem sua versão em miniatura, o Galgo Italiano. E dentro da família das lebres, merecem uma visita o elegante Saluki e o espetacular Galgo Afgano.
Perguntas frequentes sobre o Whippet
O Whippet é um bom cão para viver no chão?
Sim, e dos melhores. Dentro de casa, o Whippet é calmo, limpo e silencioso: passa boa parte do dia dormindo no sofá. A única coisa negociável é dar-lhe diariamente uma ou duas sessões de corrida livre em uma área segura para queimar sua energia explosiva. Com isso coberto, ele se adapta perfeitamente a um apartamento.
Quanto exercício precisa um Whippet por dia?
Basta-lhe cerca de 45-60 minutos por dia, mas com qualidade: precisa correr a galope, não apenas passear ao passo. O ideal são duas saídas com momentos de corrida livre em local cercado. É um cão de explosões curtas e intensas seguidas de longos descansos, não de resistência sustentada.
O Whippet se dá bem com crianças e outros cães?
Com crianças geralmente é excelente: doce, paciente e nada agressivo, embora por sua finura seja conveniente supervisionar com crianças muito pequenas e bruscas. Com outros cães é sociável.
O Whippet perde muito cabelo?
Tem cabelos curtos, finos e sem pêlo, por isso a muda é mínima e a manutenção muito baixa: uma escovação semanal e pouco mais. É uma das raças mais confortáveis em termos de higiene do pelo.
Porque é que o Whippet passa tanto frio?
Não está isolado do frio, por isso, no inverno, agradece um casaco para cão em passeios e uma cama quente em casa. É comum vê-lo procurar cobertores e cantos quentes.
Quanto tempo vive um Whippet?
É uma raça muito longeva e saudável: um estudo britânico de 2024 colocou a sua expectativa de vida em torno de 13,4 anos, acima da média dos cães de raça.
É fácil educar o Whippet?
É inteligente e quer agradar, mas também sensível e independente como uma boa lebre. Responde muito bem ao reforço positivo e nada à dureza.
O Whippet serve como cão de guarda?
Não, e não é preciso pedí-lo. Ele pode avisar com algum ladrar se ouvir algo estranho, mas seu caráter é amável e tímido: prefere retirar-se antes de enfrentar. É um companheiro, não um guardião.