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Otite em cães: por que se repete e como prevenir

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Otite em cães: por que se repete e como prevenir

Tratas a otite do teu cão, melhora numa semana, respiras aliviado… e ao fim de um mês volta a abanar a cabeça e a arranhar a orelha. Se te toca, não estás a fazer nada de estranho: A otite canina é um dos motivos mais frequentes de consulta veterinária e, sobretudo, um dos mais recorrentes. A chave está num detalhe que quase ninguém explica: infecção do ouvido quase nunca é o problema subjacente, mas a consequência de outra coisa. E se essa “outra coisa” estiver lá, a otite volta.

Neste guia, digo-lhe, com critério veterinário e sem fumo, porque é que se repete tanto, como reconhecê-la cedo e o que pode fazer em casa para espaçar as recaídas ao máximo.

O que é otite e por que não é “apenas sujeira”

A otite externa é a inflamação do canal auditivo externo, a parte do ouvido que vai da entrada do ouvido ao tímpano. Quando esse tubo se inflama, o microclima muda. aumenta a humidade e a temperatura, acumula cera e perturba o equilíbrio natural que mantinha as bactérias e os fungos que vivem normalmente na pele à distância. É quando esses microrganismos se multiplicam de forma descontrolada e aparecem a coceira, o mau cheiro e a secreção.

O erro mais comum é pensar que o ouvido foi infectado “porque estava sujo”. Na verdade, geralmente é o contrário: o ouvido se enche de cerume e secreção porquê? algo o inflamou primeiro. Por isso, limpar muito, por si só, não cura uma otite de fundo. Entender essa diferença é o primeiro passo para parar de girar no mesmo círculo.

Por que se repete: o modelo dos 4 fatores

A dermatologia veterinária explica a otite com um esquema muito útil de quatro tipos de fatores. Quase todas as otites que recaem falham porque apenas uma delas foi atacada (normalmente a infecção) e as outras foram ignoradas.

Tipo de factor O que é? Exemplos frequentes
Primario A verdadeira causa da inflamação Alergias (atopia, alergia alimentar), parasitas como o ácaro do ouvido, corpos estranhos (uma espinha), problemas hormonais
Secundario A infecção que aparece sobre a inflamação Bactérias (Staphylococcus, Pseudomonas) e leveduras (Malassezia)
Predisponente Características que tornam o ouvido mais vulnerável, já presentes antes Orelhas caídas, ductos estreitos ou peludos, excesso de umidade de banho ou piscina
Perpetuante Mudanças que surgem com o tempo e mantêm o problema Engorda do ducto, excesso de cerume, biofilme, calcificação em casos crónicos

A ideia central é esta: toda otite reincidente é, basicamente, secundária a outra coisa.. Nos estudos de otite externa canina, as causas primárias que mais aparecem são as alergias, com a dermatite atópica na cabeça (identificada como fator primário em cerca de 70% dos casos em algumas séries), seguidas dos parasitas e da hipersensibilidade alimentar. Se o cão for alérgico e tratar apenas a infecção, a pele do ouvido continuará inflamada e as bactérias voltarão a colonizá-la assim que terminar as gotas.

Os fatores perpetuadores são o outro grande motivo de falha. Cada surto de inflamação deixa sequelas no ducto: engorda, estreita, produz mais cera. Com o tempo, essas mudanças tornam as recaídas mais freqüentes e mais difíceis de tratar, ao ponto de que em casos muito avançados o ducto se calcifica e não mais responde às gotas.

Raças e orelhas com mais bolinhos

Nenhum cão está isento de otite, mas a anatomia manda. As orelhas caídas que cobrem o canal reduzem a ventilação e retêm calor e umidade, um ambiente perfeito para bactérias e leveduras. Por isso raças de orelhas longas e pesadas como o Cocker Spaniel ou o Basset Hound lideram quase todas as estatísticas: em algumas séries o Cocker aparece em até 1 em cada 5 casos de otite.

Existem outros perfis de risco por razões diferentes:

  • Tubos estreitos: o Shar Pei tem o canal auditivo especialmente fechado, o que dificulta a drenagem e ventilação.
  • Tubos peludos: o Caniche e muitas raças de brinquedos acumulam cabelo dentro do tubo, que retém cera e umidade.
  • Cães de água e muito ativos: o Labrador Retriever e o Golden Retriever são frequentemente molhados e, além disso, têm uma tendência bastante para a dermatite atópica, uma combinação que multiplica o risco.
  • Orelhas grandes e pendentes: o Cavalier King Charles Spaniel e o Bulldog Francés também aparecem com frequência; no caso do Frenchie, muito ligado à sua pele alérgica.

Se você vive com uma dessas raças, não significa que seu cão vai ter otite sim ou sim, mas sim que a prevenção rotineira vai lhe render muito mais do que em um cão de orelhas erguidas e ducto seco.

Como reconhecê-la a tempo

Quanto mais cedo agir, menos danos se acumulam no tubo e menos probabilidade há de que a coisa se cronique.

  • Sacuda a cabeça ou o lado repetidamente para um lado.
  • Ele arranha a orelha ou esfrega-a contra o sofá e o chão.
  • Um mau cheiro característico saindo do ouvido.
  • Secreção marrom, amarelada ou com aspecto de cera escura.
  • Vermelhidão, inchaço ou calor na entrada do ouvido.
  • Ele incomoda-se ou reclama quando lhe tocas na zona.

O motivo é importante: se o tímpano estiver perfurado, alguns produtos podem danificar o ouvido interno, e apenas uma revisão com otoscópio (e muitas vezes uma citologia ao microscópio) permite saber se há bactérias, leveduras ou ácaros, que são tratados de forma diferente.

Como prevenir recaídas, passo a passo

A verdadeira prevenção tem duas patas: controlar a causa de fundo(que é dirigido pelo seu veterinário) e cuidar do ambiente do ouvido(que você faz em casa).

  1. Seque bem as orelhas depois do banho e da piscina. A água que fica dentro suaviza a pele do tubo e facilita a infecção. Use um algodão para retirar a umidade da parte visível e, se o seu cão nadar muito, peça uma solução de secante-astringente específica.
  2. Verifique as orelhas uma ou duas vezes por semana. aprende como cheiram e como são quando estão saudáveis para detectar a mudança assim que começa.
  3. Limpe apenas quando necessário e com o produto adequado. em ouvidos saudáveis, limpar mais irritante e desequilíbrio.
  4. Trata da causa primária. Se há uma alergia por trás, controlá-la (dieta de eliminação, tratamento da atopia, controle de parasitas) é o que realmente corta as recaídas. Sem isso, qualquer limpeza é um adesivo.
  5. Mantenha a ventilação. Se houver muito cabelo cobrindo o canal, consulte se é conveniente cortá-lo; faça-o sempre com critério veterinário, porque arrancar o cabelo em bruto também inflama.
  6. Não abandone o tratamento prematuramente. Uma infecção bacteriana ou por fermento geralmente precisa de 2 a 4 semanas; deixá-lo quando “já parece bem” é uma das causas mais típicas de recaída.

Em cães com otite crônica, o veterinário pode indicar um plano de manutenção (por exemplo, limpezas regulares que são espaçadas, ou antiinflamatórios tópicos em dias alternados para controlar a inflamação de fundo).

Limpeza do ouvido bem feita

Fazer bem faz a diferença entre ajudar e piorar.

  1. Levante a orelha e encha o tubo com o limpador óptico recomendado pelo seu veterinário.
  2. Massageie suavemente a base do ouvido durante alguns segundos; ouvirá um som de “chof”. Isso ajuda a desprender a cera do interior.
  3. Deixe o cão balançar a cabeça: assim a sujeira sobe do fundo para a saída.
  4. Remova com um algodão ou uma fita só o que vir na parte acessível.

E uma regra de ouro: nunca use pauzinhos de algodão dentro do tubo. Eles empurram a sujeira para o fundo, podem danificar o tímpano e compactar a cera exatamente onde você não quer. Também não recorre a misturas caseiras com vinagre, álcool ou óleos: irritam a pele já inflamada e podem ser dolorosas se houver feridas.

Erros comuns que a perpetuam

  • Reutilizar gotas de um episódio anterior sem saber qual o micro-organismo desta vez nem se o tímpano está intacto.
  • Interromper o tratamento no primeiro dia de melhoria. A inflamação acalma-se antes que a infecção se resolva completamente.
  • Limpe o ouvido todos os dias “por higiene”. A limpeza excessiva irrita e arrasta as defesas naturais da pele.
  • Ficar sozinho no ouvido. Se o cão recair repetidamente, é preciso olhar para além: há quase sempre uma alergia ou um problema de pele por trás.
  • Usar hisopos e remédios caseiros. já o dissemos, mas é o erro que mais faz mal.
  • Deixar passar semanas antes de ir ao veterinário. Cada surto não tratado aproxima-se da conduta para a cronologia.

Uma nota honesta: no manejo da otite recorrente há nuances em que os profissionais nem sempre concordam (quantas vezes limpar, que solução de secagem usar, quando introduzir antiinflamatórios de manutenção).

Perguntas frequentes

Porque é que a otite do meu cão está sempre a voltar?

Porque quase todas as otites que recaem são secundárias a uma causa básica, geralmente uma alergia. Se apenas tratarmos a infecção com gotas e não controlarmos esse problema primário, a pele do ouvido volta a inflamar-se e as bactérias ou leveduras voltam a multiplicar-se. Cortar o ciclo é diagnosticar e gerir essa causa.

De vez em quando devo limpar as orelhas de um cão saudável?

Em um ouvido saudável, não é necessário uma rotina diária; limpar a pele mais irritada e desequilibrada. Normalmente, basta revisá-los uma ou duas vezes por semana e limpar apenas quando você vê cera ou sujeira, com um limpador óptico veterinário. Em raças de orelhas caídas ou cães que nadam, seu veterinário pode recomendar uma frequência maior.

Posso usar paus para limpar a orelha?

Não dentro do tubo. Os pauzinhos empurram a sujeira para o fundo, compactam a cera e podem danificar o tímpano. O correto é aplicar o limpador, massagear a base do ouvido, deixar o cão abanar a cabeça e retirar com um algodão apenas o que resta na parte visível.

Quais raças são mais propensas à otite?

Os de orelhas longas e caídas como o Cocker Spaniel ou o Basset Hound, os de ducto estreito como o Shar Pei, os de ducto muito peludo como o Caniche, e os cães de água ou com pele alérgica como o Labrador, o Golden ou o Bulldog Francês.

Quanto tempo leva uma otite a curar-se?

Uma infecção bacteriana ou por leveduras geralmente requer entre 2 e 4 semanas de tratamento. Os casos crônicos ou com alterações já instaladas no ducto podem exigir meses ou uma gestão para toda a vida.

A água da piscina ou da casa de banho causa otite?

Não causa infecção por si só, mas é um factor predisponente importante: a água retida suaviza a pele do canal e cria um ambiente úmido que favorece a infecção. Secar bem os ouvidos após o banho ou a piscina e, em cães nadadores, usar uma solução secante recomendada pelo veterinário reduz muito o risco.

Raças mencionadas neste artigo

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