O Akbash é um dos grandes cães de guarda de gado da Turquia: um mastro branco, sereno e de grande porte, criado durante séculos na Anatólia Ocidental para viver entre ovelhas e enfrentar lobos e outros predadores. Não é um cão de pastoreio – não guia o rebanho – mas um protetor independente que toma decisões por conta própria. Antes de se apaixonar por sua estampa branca, é bom entender que o Akbash é um cão de trabalho de cabeça fria, territorial e com muito critério próprio, pensado para espaço, não para o sofá de um chão.
É o Akbash para ti?
O Akbash é um cão espetacular, mas não adequado para todos. É uma raça de guarda de gado (o que em inglês chamam animal de companhia): independente, territorial, protetora e de tamanho imponente. Funciona maravilhosamente em uma fazenda com animais ou terreno para cuidar, e muito pior em um ambiente urbano sem espaço nem função. Antes de dar o passo, olhe honestamente para essas duas colunas.

A favor.
- Guardião excepcional: vigia gado, fazenda ou propriedade com um sério instinto protetor.
- Tranquilo e equilibrado em casa quando não está de serviço; não é um cão nervoso ou hiperactivo.
- Muito leal e ligado aos “seus”, sejam pessoas ou animais do rebanho.
- Rústico e resistente, adaptado a climas difíceis e à vida ao ar livre.
- Pelo branco vistoso e de cuidados relativamente simples para o seu tamanho.
Contra
- Precisa de espaço: não é um cão de chão nem de terreno pequeno.
- Muito independente e teimoso; não procura obedecer porque obedece.
- Territorial e desconfiado de estranhos; tende a ladrar e a dissuadir.
- Um instinto de guarda que tem de ser socializado e gerenciado desde o filhote.
- Não é uma raça para iniciantes nem para quem quer um cão de salão.
Caráter e temperamento
O Akbash combina duas coisas que parecem opostas: uma calma quase imperturbável e uma capacidade de reação contundente quando detecta uma ameaça. Em repouso é um cão sereno, de movimentos pausados e olhar atento, que transmite segurança e aplomo. Essa tranquilidade não é preguiça: é a atitude de um sentinela que conserva energia enquanto observa.
A sua característica é a independência. Durante séculos, o Akbash trabalhou sozinho na montanha, longe do pastor, decidindo por si mesmo quando algo é perigoso e quando não. Isso moldou um cão que pensa antes de agir e não espera ordens para fazer o seu trabalho. Com a sua família é profundamente leal e, segundo a tradição turca, capaz de criar laços tão fortes com as suas ovelhas que as protege como se fossem as suas próprias. Com os estranhos, por outro lado, ele é reservado e vigilante: Avalie antes de confiar.
Não é um cão agressivo de forma gratuita. A sua guarda baseia-se mais na presença, no ladrar de aviso e na dissuasão do que no ataque. Mas é um animal grande, forte e com critérios próprios, por isso o seu instinto protetor deve ser canalizado com socialização e gestão responsável desde filhote.
Coabitação: crianças, outros animais de estimação, piso e solidão
Com crianças: dentro de sua família, o Akbash geralmente é paciente e protetor, e muitos exemplares toleram muito bem as crianças da casa.
O Com outros animais de estimação: é justamente o animal concebido para conviver com gado e outras espécies, as quais tende a proteger em vez de assediar.
No piso: aqui temos que ser claros. O Akbash não é um cão de chão. Ele precisa de terreno, uma cerca sólida e, se possível, uma função a cumprir. Encerrado em um espaço pequeno e sem estímulo, um cão deste tamanho e instinto fica entediado, latindo e frustrado.
Diante da solidão: tolera melhor do que muitas raças estar ao ar livre por conta própria – para isso foi criado -, mas “estar apenas vigiando um terreno” não é o mesmo que “estar fechado e abandonado”.
Educação e formação
Treinar um Akbash não é como treinar um border collie ou um labrador. Ele não é um cão que vive para agradar: é um cão que decide. Por isso, a educação deve começar cedo, baseando-se no reforço positivo e, acima de tudo, em um relacionamento de respeito e confiança. A dureza e o castigo físico são contraproducentes: geram desconfiança em um cão que precisa exatamente do contrário.
O socialização precoce é a peça-chave. Um filhote de Akbash deve conhecer pessoas, ruídos, situações e outros animais para aprender a distinguir o normal do ameaçador; disso depende que seu instinto de guarda seja equilibrado e não excessivamente desconfiado.
É preciso assumir que você nunca terá a obediência milimétrica de uma raça de trabalho cooperativo: o Akbash sempre manterá seu critério. O objetivo realista é um cão confiável, sociável dentro do razoável e sob controle, não um cão de competição de obediência. Por tudo isso não é a raça ideal para um proprietário recém-chegado.

Exercício e atividade
O Akbash não é um cão hiperativo nem um atleta de resistência como o husky, mas precisa de espaço e movimento. Em seu ambiente natural, ele patrulha grandes extensões a um ritmo calmo durante todo o dia, de modo que o que ele se sente melhor é ter terreno seguro para se mover livremente e, se possível, um trabalho de vigilância que lhe dê sentido.
Para um Akbash que vive como cão de companhia numa fazenda, o ideal é combinar a liberdade num terreno bem cercado com passeios diários que lhe permitam explorar e cheirar. Não precisa de corridas extenuantes, mas sim de atividade constante de baixa intensidade e, acima de tudo, estímulo mental: Um guarda chato é um guarda problemático. O calor extremo leva-o a regular o seu pelo denso, por isso é bom reservar o exercício para as horas frescas no verão.
Cuidados: pelagem e higiene
O manto do Akbash é duplo– uma camada externa protetora e um subcouro denso – e pode ser de comprimento médio ou longo, sempre de cor branca com possíveis tons de creme ou biscoito.
Fora da época de muda, basta uma escovação semanal para manter o cabelo limpo e sem emaranhados, especialmente nas franges das patas e na cauda, que é muito plumada. Não requer banhos frequentes: O manto branco tende a limpar-se a si mesmo e banhos excessivos secam a pele. Como em qualquer cão, é conveniente controlar as unhas, verificar e limpar as orelhas e manter a higiene dental regular. O seu pelo branco serve-lhe bem para a vida ao ar livre, mas fará com que a sujeira fique mais visível depois de um dia de campo.
Alimentação
Como um cão de raça grande, o Akbash precisa de uma alimentação de qualidade ajustada ao seu tamanho, idade e nível de atividade, sem sobrealimentá-lo. O estágio do filhote é especialmente delicado: Os gigantes têm de crescer devagar, com um alimento formulado para raças grandes que controle a ingestão de energia e a relação cálcio-fósforo, porque crescer muito rápido favorece problemas articulares.
No adulto, o prudente é dividir a ração diária em duas tomadas em vez de uma única, uma prática habitual para reduzir o risco de dilatação-torção gástrica em cães de peito profundo. É conveniente evitar exercícios intensos antes e depois das refeições, manter sempre água fresca disponível e controlar o peso: A obesidade sobrecarrega as articulações de um animal que já parte de um esqueleto grande. É melhor ajustar as quantidades e o tipo de dieta com o veterinário de acordo com cada exemplar.
Saúde e esperança de vida
O Akbash é uma raça rústica e funcional, selecionada durante séculos por sua capacidade de trabalho mais do que por estética, o que geralmente se traduz em cães robustos e saudáveis. Mesmo assim, como qualquer cão de grande porte, convém estar atento às doenças mais típicas das raças grandes e gigantes: a displasia da anca e do cotovelo, problemas articulares e a dilatação-torção gástrica(a temida torção do estômago), uma emergência veterinária que afeta cães de peito profundo.
A expectativa de vida situa-se em torno dos 10-11 anos, o habitual num cão de guarda deste tamanho. Para cuidar de sua saúde a longo prazo, ajudam exames veterinários periódicos, manter o peso sob controle, um crescimento controlado no filhote e, se ele for criado, verificar a saúde dos reprodutores. Sendo uma raça pouco difundida e sem a pressão da criação em massa, mantém boa parte de seu vigor original.
Aspecto físico
O Akbash é um cão grande e poderoso., de construção mais estilizada e de patas mais longas do que muitos outros mastines guardiões, o que lhe dá uma aparência ágil apesar de sua corpulência. A altura na cruz ronda e excede os 75 cm, e são citados exemplares de até cerca de 86 cm nos machos; o peso médio situa-se em torno de 45 kg, embora os machos mais grandes possam ultrapassar facilmente esse número, sempre acima das fêmeas.
Seu selo é o cor branca, às vezes com ligeiras nuances de creme ou biscoito, sobre um manto duplo de comprimento médio ou longo, com franges atrás das patas e uma cauda muito plumada que tende a curvar-se sobre a costas. A cabeça é longa e proporcional, com orelhas caídas em forma de “V” e uma expressão calma e nobre. Esse branco não é uma coincidência estética: permitia ao pastor distinguir o seu cão do lobo mesmo com a luz escura da lua, evitando confusões fatais na escuridão.
Origem e história
O Akbash é uma raça tradicional originária de Anatólia Ocidental, na Turquia, onde é distribuído principalmente pelas províncias de Afyon, Ankara, Eskişehir e Manisa. O nome diz tudo: akbaş significa “cabeça branca” em turco, em oposição ao karabaş ou “cabeça negra”. Também foi chamado akkush, “pássaro branco”. Durante gerações, os pastores da Anatólia usaram-no para proteger os seus rebanhos de lobos e outros predadores num terreno árido e montanhoso.
Durante muito tempo, na Europa e na América, todos os grandes cães turcos foram colocados no mesmo saco sob o rótulo de “cão pastor da Anatólia”. Foi um simpósio internacional realizado na Universidade de Konya em 1996 que impulsionou a distinção entre as diferentes raças turcas guardiãs do gado. O Akbash acabou de se consolidar oficialmente em seu país em 2006, quando o Ministério da Agricultura turco o reconheceu como raça nacional, após a publicação de um padrão no início da década. Hoje é protegido pela Federação Canina da Turquia, embora não é reconhecido pela Federação Cinológica Internacional (FCI).
Curiosamente, o Akbash viajou longe de suas montanhas: Foi uma das raças base utilizadas para criar o moderno Pastor da Anatólia(Anatolian Shepherd), um cruzamento de várias raças turcas. Nos Estados Unidos, existe uma associação internacional dedicada ao Akbash que impulsionou sua popularidade, e lá ele é usado para proteger o gado dos coyotes, demonstrando que seu antigo ofício ainda está em pleno vigor no outro lado do mundo.
Curiosidades
- Cabeça branca de propósito. A cor clara não é apenas bonita: ajudava os pastores a não confundir o cão com um lobo na penumbra.
- Parente de meio mundo. O Akbash lembra outros guardiões brancos como o Pastor de Maremma, a Montanha dos Pirineus, o Kuvasz, o Cuvac eslovaco ou o Pastor de Tatra, todos selecionados para a mesma missão em diferentes países.
- Não pastoreia, protege. Ao contrário de um border collie, o Akbash não guia o rebanho: vive dentro dele e o defende.
- Pai de outra raça. Foi material de partida para criar o Pastor da Anatólia, ao lado do Kangal.
- Da Anatólia para as pradarias americanas. Hoje trabalha em ranchos dos Estados Unidos protegendo ovelhas dos coyotes.
Se você é atraído pelo Akbash por seu tamanho, seu caráter guardião e seu manto imponente, talvez você esteja interessado em outras raças grandes e protetoras com um perfil semelhante. Mastinho Inglês Cane Corso San Bernardo Samoyedo
Perguntas frequentes sobre o Akbash
O Akbash é um bom cão de família?
Pode ser no lar adequado: é leal, tranquilo em casa e protetor com os seus. Mas o seu tamanho, a sua independência e o seu forte instinto guardião tornam-no pouco recomendável para famílias sem experiência ou sem espaço.
Quanto mede e pesa um Akbash?
É um cão grande: a altura na cruz é redonda e excede os 75 cm, com machos que chegam a chegar a cerca de 86 cm, e um peso médio próximo a 45 kg que os machos mais grandes podem ultrapassar.
É possível ter um Akbash num apartamento?
O Akbash precisa de espaço, um terreno bem cercado e, se possível, uma função a desempenhar. Em um piso pequeno, sem estímulo ou território para vigiar, tende a se aborrecer, ladrar e se frustrar.
O Akbash é agressivo ou perigoso?
A sua guarda baseia-se mais na presença, barulho de aviso e dissuasão do que no ataque. É desconfiado de estranhos e territorial, por isso precisa de socialização precoce e uma condução responsável para que seu instinto protetor seja equilibrado.
Quanto exercício o Akbash precisa?
Não é hiperactivo, mas precisa de espaço e movimento diário de baixa intensidade: patrulha de terreno seguro, passeios para explorar e estímulo mental.
Quanto tempo vive um Akbash?
A sua expectativa de vida situa-se em torno de 10-11 anos, o habitual num cão de guarda de grande porte.
O Akbash solta muito cabelo?
Tem um manto duplo e, nas mudas de primavera e outono, solta bastante cabelo e precisa de escovar com mais freqüência.
Como é que o Akbash é diferente do Kangal ou do Pastor da Anatólia?
Os três são cães de guarda turcos, mas são raças diferentes. O Akbash é branco e de aparência mais estilizada; o Kangal é de capa marrom com máscara escura.